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Perda de vegetação secundária no Cerrado aumentou 20% desde 2017, segundo MapBiomas

Desde 1987, o Cerrado perdeu quase 8 milhões de hectares de vegetação secundária, área equivalente a quase duas Holandas.

A perda de vegetação secundária se intensificou nos últimos anos no Cerrado. Dados do MapBiomas divulgados na 6a feira (11/9), Dia do Cerrado, mostram que entre 2017 e 2025 o bioma teve perda de vegetação secundária 20% maior do que no período de 2007 a 2016. A vegetação secundária é a área desmatada que se encontra em processo de recuperação da cobertura por vegetação nativa.

Segundo o levantamento, no ano passado a vegetação secundária no Cerrado ocupava cerca de 7,5 milhões de hectares, correspondendo a apenas 8% da cobertura remanescente do bioma. Desde 1987, primeiro ano da série histórica do MapBiomas sobre o Cerrado, a perda de vegetação nativa chega a 7,9 milhões de hectares, área equivalente a quase duas Holandas.

O Cerrado vem sofrendo uma redução gradual de vegetação secundária nas últimas quatro décadas. Entre 1987 e 1996, o balanço líquido (diferença entre ganho e perda dessa vegetação) foi de 3,4 milhões de hectares. No período de 1997 a 2006, ficou em 2,2 milhões de hectares. Entre 2007 e 2016, foi de 1,9 milhão de hectares. E os dados de 2017 a 2025 mostram outra queda, para apenas 500 mil hectares, com ganho de 3,2 milhões de hectares e perda de 2,7 milhões.

O MapBiomas também mostra que, dos 1.425 municípios cobertos pelo Cerrado, 67 perderam pelo menos mil hectares a mais de vegetação secundária do que ganharam no período de 2017 a 2025. A maioria deles está na região do MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), e os três municípios com a maior perda líquida de vegetação secundária estão na Bahia – Barreiras, Jaborandi e Baixa Grande do Ribeiro. Já os três municípios com maior ganho líquido no período foram Cocalinho (MT), Paranã (TO) e Arinos (MG).

O IPAM reforça que a falta de mecanismos específicos de proteção contribui para uma pressão crescente sobre a vegetação secundária no Cerrado. Não à toa, 73% da vegetação secundária perdida no bioma é desmatada novamente até dez anos após sua primeira derrubada, comprometendo sua capacidade de recuperação e reduzindo a capacidade de absorção de carbono.

“À medida que a vegetação secundária se desenvolve, ela pode acumular biomassa e carbono, ampliar a conectividade da paisagem e recuperar partes das funções ecológicas. Isso não significa que ela seja equivalente à vegetação primária, mas mostra por que sua permanência tem um papel importante no avanço da recuperação do Cerrado”, explicou Bárbara Costa, analista de pesquisa do IPAM e do MapBiomas.

A proteção do Cerrado ganha ainda mais urgência no contexto da crise climática e de seus impactos no bioma e no resto do país. Em entrevista ao Brasil de Fato, a professora Mercedes Bustamante, da Universidade de Brasília (UnB), explica que o Cerrado já sofre com alterações no regime de chuvas e a intensificação de incêndios. Problemas que podem se tornar ainda mais latentes nos próximos meses, com o “Super El Niño”. 

“O Cerrado não é um bioma secundário; ele é o coração hídrico do Brasil e um fator de estabilidade climática. Sua destruição é uma ameaça ao bem-estar e ao futuro da população brasileira”, ressaltou Mercedes. “Proteger este bioma é uma questão de sobrevivência, e não uma opção. O futuro sustentável do Brasil passa pelo Cerrado.”

A Exame destaca um estudo da The Nature Conservancy (TNC) que analisou seis décadas de dados hidrológicos da Bacia do Araguaia. A pesquisa identificou fatores que pressionam os recursos hídricos do Cerrado, em especial o aumento das temperaturas, a redução do volume e da frequência das chuvas, o prolongamento da estação seca e a queda na vazão de rios importantes da região.

A pressão crescente sobre os recursos hídricos já gera conflitos relacionados ao uso da água. Na Bacia do rio Formoso (TO), por exemplo, disputas entre produtores rurais de arroz, soja e milho resultaram na interrupção do fluxo do curso d’água e na judicialização do problema.

Diante disso, organizações da sociedade civil iniciaram uma campanha para pressionar os candidatos às eleições de outubro a assumirem compromissos com a proteção do Cerrado e de seus Povos. Batizada de #VotePeloCerrado, a mobilização defende que os candidatos se comprometam com propostas como o reconhecimento do bioma como patrimônio nacional, a proteção das águas, a garantia de terra e território aos Povos Tradicionais, o combate à grilagem e à violência no campo, e o fortalecimento da agroecologia e da agricultura familiar, detalha o Jornal de Brasília.

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Este conteúdo é originalmente de climainfo.org. Para a reportagem completa, acesse:
https://climainfo.org.br/2026/09/13/mapbiomas-perda-de-vegetacao-secundaria-no-cerrado-aumentou-20-desde-2017/

Fonte: climainfo.org · Por Ian Mello

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