Petróleo ultrapassa US$ 90 com tensões no Oriente Médio
O barril de petróleo Brent pode atingir mais de US$ 120 no quarto trimestre se as interrupções no Estreito de Ormuz se prolongarem, segundo o Goldman Sachs.
A continuidade dos ataques entre Estados Unidos e Irã travou de vez o Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de 20% do petróleo produzido no mundo. Some-se a isso o bloqueio a navios com petróleo da Arábia Saudita pelos Houthis – grupo rebelde do Iêmen apoiado por Teerã – no Estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, e o resultado é uma nova escalada na cotação do combustível fóssil. Que voltou a fechar a sessão acima de US$ 90, o que não acontecia há cerca de um mês.
Referência internacional, o petróleo tipo Brent com vencimento em setembro teve alta de 2,01%, fechando a 3ª feira (21/7) cotado a US$ 91,01 por barril. O WTI (a referência dos EUA) com entrega prevista para o mesmo mês subiu 2,02%, para US$ 84,91 por barril, detalha o Valor.
Com as idas e vindas do conflito, os petroestados do Golfo Pérsico aliados de Washington estão cada vez mais frustrados com a intensificação das hostilidades entre EUA e Irã, que, cada vez mais colocam em risco sua segurança e economias, destaca a Bloomberg. Apesar da exasperação, os países do Golfo divergem sobre o que os estadunidenses deveriam fazer. Enquanto alguns defendem mais agressividade, outros, como o Catar, país que atua como mediador do conflito, desejam um recuo imediato nos ataques ao território iraniano.
Os efeitos econômicos negativos da guerra sobre os petroestados são ilustrados pelas exportações de petróleo da Arábia Saudita. As vendas de combustíveis fósseis sauditas caíram pelo terceiro mês consecutivo em maio, atingindo um nível recorde de baixa, segundo dados da Joint Organizations Data Initiative (JODI), informa a Reuters. As exportações caíram para cerca de 3,4 milhões de barris por dia (bpd) em maio, ante 3,98 milhões de barris por dia em abril. A queda ocorreu mesmo com a recuperação da produção de petróleo do país, que atingiu 6,560 milhões de bpd em maio, recuperando-se da mínima histórica de 6,316 milhões de barris por dia, registrada em abril.
Os sauditas enfrentarão agora uma dificuldade a mais para suas vendas. O Estreito de Bab el-Mandeb é uma rota de exportação fundamental para o país e permaneceu amplamente navegável durante todo o conflito entre os EUA e o Irã, lembra a CNN Brasil. Agora, com o bloqueio dos Houtis ao estreito, dois navios-tanque que transportavam petróleo do país para a Ásia inverteram a rota no Mar Vermelho ontem, segundo o Valor. Algo que deve continuar acontecendo nos próximos dias.
Em um comunicado, a Agência Internacional de Energia (IEA) alertou para um risco crescente no fornecimento de energia após a escalada da guerra no Oriente Médio, informam Bloomberg, Xinhua e Reuters. Segundo o Financial Times, a declaração alimentou especulações quanto à IEA estar examinando possíveis opções caso Ormuz não seja aberto rapidamente, incluindo novas liberações de estoques de petróleo por parte dos membros.
Enquanto isso, o banco Goldman Sachs alertou que o barril do Brent pode chegar a US$ 120 no 4º trimestre se as interrupções em Ormuz persistirem, informa o Valor.
Este conteúdo é originalmente de climainfo.org. Para a reportagem completa, acesse:
https://climainfo.org.br/2026/07/21/barril-do-petroleo-volta-a-superar-us-90-com-novas-tensoes-no-oriente-medio/
Fonte: climainfo.org · Por Ian Mello
