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PF reúne indícios contra Cezinha de Madureira e Dino autoriza novas buscas

Mensagens sobre contatos com ministros de tribunais superiores, contratos de honorários de até R$ 2 milhões e R$ 510 mil em dinheiro vivo apreendidos com a mulher do deputado federal Cezinha de Madureira compõem o conjunto de indícios reunido pela Polícia Federal. Com base nesses elementos, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou novas buscas na investigação que apura

Mensagens sobre contatos com ministros de tribunais superiores, contratos de honorários de até R$ 2 milhões e R$ 510 mil em dinheiro vivo apreendidos com a mulher do deputado federal Cezinha de Madureira formaram o conjunto de indícios reunido pela Polícia Federal (PF)

Com base nesses elementos, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou novas buscas na investigação que apura suspeitas de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

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Ministro Flávio Dino em sessão plenária do STF | Foto: Victor Piemonte/STF

A principal fonte das suspeitas são mensagens extraídas do celular da advogada Mariângela Fialek, apreendido em dezembro de 2025. Segundo a PF, os diálogos indicariam uma atuação conjunta entre ela, a advogada Valéria Rodrigues Linhares, mulher de Cezinha, e o parlamentar. A investigação suspeita que o deputado utilizaria seu acesso a integrantes do Judiciário para intermediar interesses em processos nos tribunais superiores.

Ao autorizar as buscas, Dino afirmou que as “fundadas razões” exigidas para a medida estavam “fartamente demonstradas na representação policial”. A PF sustentou que as conversas foram obtidas por extração forense, com integridade atestada, e que continham manifestações dos próprios investigados.

A investigação, contudo, faz uma ressalva: os magistrados mencionados nas conversas não são alvo da apuração. Segundo a PF, não há, até o momento, elementos que indiquem solicitação, aceitação ou recebimento de vantagem indevida por integrantes do Judiciário. O foco está na suspeita de que os investigados teriam comercializado uma suposta capacidade de influenciar decisões.

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Despachos

Entre os elementos apresentados pela PF estão conversas sobre processos acompanhados pelo grupo e contatos que Cezinha dizia manter com ministros.

Em um dos casos, havia previsão de R$ 500 mil em honorários condicionados ao resultado de uma reclamação em tramitação no STF. Durante uma conversa, Mariângela perguntou ao parlamentar: “Vc despachou?”. Cezinha respondeu: “Despachei sim / Ontem”.

Outro diálogo citado pela PF envolveria o ministro Kassio Nunes Marques. Cezinha afirmou que seria atendido pelo magistrado às 16h e escreveu: “Vou pedi a ele”. Em seguida, acrescentou: “Vou ver se de fato eu preciso pedir expressamente”. Para os investigadores, as mensagens justificam aprofundar a apuração sobre a natureza da atuação do parlamentar.

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A PF também encontrou documentos relacionados a outros processos e contratos com valores mais elevados. Em um caso envolvendo um ex-secretário municipal preso em operação policial, a sociedade de advocacia de Valéria aparece como beneficiária de R$ 1 milhão em honorários, além de um contrato conexo que previa outros R$ 2 milhões em caso de resultado favorável.

Em sua análise, a PF apontou que os diálogos de Mariângela e Valéria indicariam uma parceria destinada a obter decisões favoráveis em processos judiciais, “contando com o auxílio de Cezinha de Madureira”.

Segundo a representação, os dispositivos de Cezinha podem esclarecer com quem ele manteve os contatos e o significado de expressões como “despachei sim”, “assunto reforçado agora”, “ligou e falou direto” e “deixa eu ir lá sentir”. 

A corporação também busca identificar outros processos que possam ter sido objeto de intermediação e rastrear contratos, pagamentos e a destinação final dos honorários.

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R$ 510 mil em dinheiro vivo

Outro episódio reforçou o pedido da PF. Em 25 de agosto, Valéria foi abordada no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, transportando R$ 510 mil em espécie na bagagem de mão enquanto embarcava para Brasília.

A defesa informou que os valores seriam provenientes de honorários advocatícios e se comprometeu a apresentar documentação fiscal. Entretanto, a PF considerou o episódio relevante diante dos contratos encontrados anteriormente, que previam pagamentos de R$ 500 mil, R$ 1 milhão e R$ 2 milhões vinculados ao êxito em processos.

Na representação, a corporação sustentou que o episódio poderia indicar que parte das vantagens previstas nos contratos fosse paga por meio de transporte físico de dinheiro, “à margem do sistema financeiro”. Trata-se de uma hipótese investigativa, e a origem ilícita dos R$ 510 mil não está comprovada.

Dino determinou que os procedimentos relacionados à apreensão do dinheiro fossem levados para sua relatoria no STF. Depois do cumprimento das buscas, os processos deverão ser remetidos à Corte e tramitar separadamente, sob sigilo, com acesso da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR).

PGR não se manifestou antes das buscas

Procurador-Geral da República, Paulo Gonet | Foto: Fellipe Sampaio /STF

A decisão de Dino não registrou manifestação prévia da PGR favorável ou contrária à operação. O pedido de busca partiu da PF e foi analisado pelo ministro.

No final da decisão, Dino determinou que, somente depois do cumprimento integral das medidas, fosse aberta vista à Procuradoria: “Após o total cumprimento da decisão, dê-se vista à PGR”.

O ministro também decidiu que, depois da operação, eventuais pedidos dos advogados para acessar o processo deverão passar primeiro pela PF e, posteriormente, pela PGR. O objetivo é identificar se ainda existem diligências em andamento cujo conhecimento antecipado possa comprometer a investigação.

Dino negou busca no gabinete da Câmara

Embora tenha considerado suficientes os indícios para autorizar a operação, Dino não acolheu integralmente o pedido da PF. O ministro rejeitou a realização de busca no gabinete parlamentar de Cezinha na Câmara dos Deputados por considerar que não havia elementos suficientes para demonstrar que aquele espaço teria sido usado nas condutas investigadas.

Nos endereços autorizados, a PF recebeu permissão para apreender celulares, computadores, HDs, pen drives e documentos e extrair informações consideradas relevantes para a investigação.

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A decisão também permitiu a apreensão de dinheiro em espécie acima de R$ 10 mil, em moeda nacional ou estrangeira, além de obras de arte, joias, veículos e outros itens de luxo que apresentem indícios de relação com os crimes investigados.

Dino justificou a urgência da operação pelo risco de desaparecimento de provas. Segundo a PF, a exposição pública da investigação a partir de agosto aumentou o incentivo para eventual descarte de aparelhos, troca de linhas telefônicas ou exclusão de registros. 

A decisão ressalta, porém, que documentos contábeis e patrimoniais poderiam permanecer disponíveis e que técnicas periciais permitem recuperar conteúdos apagados e acessar backups.

O post ‘Despachos’ com ministros e R$ 510 mil em espécie embasam buscas contra Cezinha de Madureira apareceu primeiro em Revista Oeste.

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