Planeta recém-descoberto pode ser o mais jovem já identificado
Astrônomos identificaram o que pode ser o planeta mais jovem já encontrado. Batizado de Elias 2-24 b, o astro tem menos de 1 milhão de anos e ainda está em formação, uma fase raramente observada pelos cientistas. Localizado a cerca de 450 anos-luz da Terra, o planeta oferece uma oportunidade para estudar como mundos gigantes se desenvolvem nos primeiros momentos de sua existência. O recorde an
Astrônomos identificaram o que pode ser o planeta mais jovem já encontrado. Batizado de Elias 2-24 b, o astro tem menos de 1 milhão de anos e ainda está em formação, uma fase raramente observada pelos cientistas. Localizado a cerca de 450 anos-luz da Terra, o planeta oferece uma oportunidade para estudar como mundos gigantes se desenvolvem nos primeiros momentos de sua existência.
O recorde anterior pertencia a quatro planetas com mais de 5 milhões de anos: dois no sistema PDS 70 e outros dois no sistema WISPIT 2. A diferença de idade chama a atenção porque os modelos atuais estimam que planetas gigantes semelhantes a Júpiter levam milhões de anos para se formar. Elias 2-24 b, porém, já apresenta características de um planeta em desenvolvimento antes de completar 1 milhão de anos.
Planeta ainda está em seu berçário cósmico
Elias 2-24 b permanece dentro do disco protoplanetário, estrutura de gás e poeira que gira ao redor de uma estrela jovem e na qual os planetas se formam. Nesse ambiente, partículas se agrupam e podem dar origem a corpos cada vez maiores. No caso dos gigantes gasosos, um núcleo atrai grandes quantidades de gás e desenvolve uma atmosfera extensa.
O planeta orbita sua estrela a uma distância equivalente a cerca de 55 vezes a separação entre a Terra e o Sol. De acordo com os modelos de formação planetária, um gigante gasoso com dimensões semelhantes às de Júpiter precisaria de milhões de anos para se desenvolver em uma região tão distante.
Youngest Exoplanet Yet Discovered Found Hiding in Keck Observatory Data. Introducing Elias 2-24 b! https://t.co/qi0VPhJ6qo https://t.co/4wIlh2fvbL
— W. M. Keck Observatory (@keckobservatory) September 17, 2026
O caso oferece novas evidências para investigar a teoria da acreção de núcleo, segundo a qual um núcleo sólido cresce e passa a atrair gás do disco ao redor da estrela.
Como os astrônomos encontraram o planeta mais jovem
A investigação começou com observações do Sistema Elias 2-24. O Atacama Large Millimeter/submillimeter Array, no Chile, identificou uma lacuna no disco de gás e poeira. Em seguida, o Very Large Telescope, do Observatório Europeu do Sul, detectou um ponto luminoso na mesma região.
Os pesquisadores precisaram determinar se o sinal correspondia realmente a um planeta ou se poderia ter outra origem, como uma estrela distante ou um artefato da imagem. Para confirmar a descoberta, a equipe revisou registros anteriores e combinou dados obtidos em diferentes anos. Entre eles, observações feitas em 2018 e 2020 e informações do Observatório W. M. Keck, no Havaí.
O uso de um coronógrafo, instrumento que bloqueia parte da luz intensa da estrela, ajudou os astrônomos a identificar o objeto mais tênue nas proximidades. A combinação das observações permitiu relacionar o ponto luminoso à lacuna no disco e confirmar a presença do planeta em formação.
O que a descoberta pode revelar sobre o Sistema Solar
Encontrar planetas tão jovens é difícil porque eles permanecem escondidos pelo material que os cerca. A maioria dos cerca de 6 mil exoplanetas confirmados foi identificada em sistemas muito mais antigos, nos quais os discos de gás e poeira já desapareceram.
A descoberta pode contribuir para explicar como a matéria se concentra, como as órbitas evoluem e de que maneira o gás e a poeira influenciam o crescimento dos planetas.
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A observação também oferece pistas sobre a história do Sistema Solar. A Terra, Júpiter e os demais planetas se formaram há bilhões de anos, quando o Sol ainda estava rodeado pelo material remanescente de sua origem. Como não é possível observar diretamente aquele período, sistemas jovens ajudam a investigar como esses processos ocorreram.
Os pesquisadores pretendem realizar novas observações para estudar melhor as características de Elias 2-24 b e acompanhar seu desenvolvimento. Encontrar outros mundos nessa fase permitirá comparar sistemas jovens e verificar se Elias 2-24 b é uma exceção ou se planetas gigantes podem se formar mais rapidamente do que os modelos atuais preveem.
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