Prefeito de Nova York promete prender Netanyahu
O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, afirmou que prenderia o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu caso ele desembarque na cidade. Em um vídeo, ele o classificou como 'criminoso de guerra' e 'arquiteto de um terrível genocídio contra o povo palestino', colocando o conflito internacional como tema central de seu mandato municipal.
Ao prometer prender o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu caso desembarque em Nova York, o prefeito Zohran Mamdani extrapolou os limites de sua atuação política. Em um vídeo, classificou o líder israelense como "criminoso de guerra e arquiteto de um terrível genocídio contra o povo palestino", mais uma vez colocando o conflito internacional como um tema central de seu mandato municipal.
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Horas depois de sua declaração, um judeu e um homem de origem asiática foram esfaqueados na cidade por um agressor que gritava "Allahu Akbar". Líderanças judaicas locais imediatamente associaram o atentado ao ambiente de hostilidade criado por mais uma declaração do prefeito contra Israel.
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Dias mais tarde, Mamdani recuou da ameaça e esclareceu ao público que prender o primeiro-ministro israelense está fora do escopo de suas atribuições. "Está claro que não temos autoridade legal independente para executar esse mandado", afirmou em um vídeo publicado no X. "O governo federal, no entanto, a tem, e eu apelo para que se junte ao TPI e cumpra esse mandado."
É difícil acreditar que Zohran Mamdani não soubesse das limitações de seu poder. Portanto, é fácil entender que seu objetivo foi aproveitar a oportunidade para reforçar seu posicionamento anti-Israel diante de seu eleitorado.
O esclarecimento ampliou ainda mais o desconforto provocado pelas manchetes anteriores dentro da comunidade judaica norte-americana, especialmente a de Nova York, que é a maior dos Estados Unidos, com quase um milhão de pessoas.
Qual o objetivo real de Mamdani?
Oito meses depois de assumir o cargo, a maioria dos analistas em Israel não enxerga nenhum sinal de que Mamdani abandonará sua postura de ativista anti-Israel para se concentrar apenas em suas responsabilidades como prefeito da cidade-símbolo do Ocidente.
Há, na realidade, dúvidas de que esteja realmente interessado em se concentrar nesse papel, já que Mamdani tem, como diz uma expressão comum entre os israelenses, "dançado em todos os casamentos". Ou seja, adapta seu discurso ao público diante do qual se apresenta: em alguns momentos procura transmitir uma imagem conciliadora; em outros, assume um tom ameaçador.
Esse método, frequente em sua atuação política, foi apontado por alguns articulistas em mídias especializadas como uma demonstração da taqiyya — doutrina islâmica segundo a qual torna-se legítimo ocultar ou dissimular convicções religiosas para alcançar determinados objetivos.
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Netanyahu não esconde sua preocupação em relação ao comportamento do prefeito de Nova York. "Ele é um homem público, eleito, que está fomentando o ódio quando deveria ser o prefeito de todos os nova-iorquinos: judeus, cristãos, muçulmanos, todos. Em vez disso, está colocando um grupo contra o outro", afirmou em entrevista à Fox News, durante sua recente visita aos Estados Unidos.
Plataforma hostil a Israel
Parte da esquerda mundial enxerga Mamdani como uma espécie de guerreiro contra a islamofobia em um Ocidente considerado hostil aos muçulmanos, empenhado em criar um ambiente mais acolhedor para a população árabe de sua cidade.
Chama a atenção, porém, que o principal fenômeno relacionado aos crimes de ódio em Nova York no ano de sua eleição não era a islamofobia, mas o crescimento sem precedentes do antissemitismo, intensificado depois do massacre promovido pelo Hamas em Israel, em 7 de outubro de 2023.
Mamdani jamais escondeu sua posição em relação a Israel. Ao contrário, desde o início de sua vida pública afirmou repetidas vezes que a causa palestina é "central para minha identidade", defendeu a legitimidade do movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) contra Israel e, em 2025, então deputado estadual, recusou-se a assinar uma resolução contra os crimes do Holocausto. Para seus críticos, esse histórico extrapola a oposição ao atual governo israelense e contribui para um ambiente de crescente hostilidade à comunidade judaica no país.
Sob sua administração, até mesmo a natureza dos crimes antissemitas tornou-se mais grave. Se em 2025 predominavam ataques contra bens e patrimônio, hoje tornaram-se frequentes as agressões físicas contra cidadãos judeus, algumas delas fatais. Independentemente de haver uma relação direta de causa e efeito, a retórica adotada pelo prefeito a respeito de Israel alimenta, para uma parcela expressiva da comunidade judaica, a percepção de que o ambiente na cidade se tornou mais permissivo à violência e à intimidação.
O ponto que merece reflexão é: Zohran Mamdani não foi eleito para conduzir a política externa norte-americana, tampouco para transformar a prefeitura de Nova York em um tribunal contra Israel. Toda vez que ele abandona sua missão de governar Nova York para atuar como protagonista de um conflito travado a milhares de quilômetros dali, deixa de governar para todos os cidadãos e se torna mais um emissário — neste caso, bastante poderoso — de uma visão ideológica.
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