EDIÇÃO DO DIA · 23 de setembro de 2026 --:--:-- COLUMBUS 19ºC
AO VIVO

BRASIL ESTADO

Presidente da CNBB critica 'politicagem' no Judiciário

O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Jaime Spengler, manifestou preocupação com a atuação do Judiciário e criticou o que classificou como 'politicagem' dentro das Cortes Superiores. As declarações foram feitas nesta quarta-feira, 23, durante uma reunião com jornalistas na sede da CNBB, em Brasília.

O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Jaime Spengler, manifestou preocupação com a atuação do Judiciário e criticou o que classificou como “politicagem” dentro das Cortes Superiores Ele deu as declarações nesta quarta-feira, 23, durante uma reunião com jornalistas na sede da CNBB, em Brasília.

Segundo o líder religioso, o Brasil atravessa um momento “delicado, tenso e desafiador”, que envolve os Três Poderes da República.

“E, nesses últimos dias, o que vem aparecendo, sobretudo no âmbito do Judiciário, é certamente preocupante”, afirmou Spengler. “Imagino que o Poder Judiciário deveria ser uma espécie de fiel da balança, realmente decidir aquilo que a Constituição apresenta como norma suprema.”

+ Saiba mais de Política em Oeste

Spengler também estendeu suas considerações ao Legislativo e ao Executivo. Ao tratar do Congresso, afirmou que considera o Poder Legislativo o espaço destinado à representação da sociedade e à construção de soluções para o desenvolvimento do país.

O cardeal disse ainda que o debate político atual está “muito acirrado” em torno do Executivo.

CNBB diz que a Igreja Católica não pode ficar calada

Presidência da CNBB em encontro com jornalistas em Brasília | Foto: Matheus Santos/Revista Oeste

Ao abordar o papel da Igreja Católica diante do atual cenário político e institucional, Spengler afirmou que a CNBB também possui responsabilidade sobre as questões enfrentadas pelo país.

A CNBB reúne os bispos da Igreja Católica no Brasil. Criada em 1952, a entidade promove a atuação conjunta do episcopado brasileiro em questões pastorais e também se manifesta sobre assuntos de interesse da sociedade. A CNBB tem sede em Brasília.

Segundo o cardeal, os integrantes da igreja não devem permanecer em silêncio diante de acontecimentos que envolvem os valores defendidos pela instituição. "Não podemos ficar calados”, afirmou. “Todos temos responsabilidade e não podemos nos calar diante do que está diante dos nossos olhos.”

Reproduzir

Spengler também disse que a igreja exerceu, ao longo da história recente brasileira, o que classificou como uma “voz profética”. Segundo ele, essa atuação parte da observação da realidade, tendo como referências o Evangelho e a Doutrina Social da Igreja. “A igreja tem, sim, uma palavra a dizer, não para defender interesses particulares, não, nunca, jamais, mas em vista do bem comum e do futuro”, afirmou.

A manifestação da CNBB sobre o STF

Durante a reunião, Spengler lembrou uma manifestação recente da CNBB sobre o Supremo Tribunal Federal (STF).

Em 10 de setembro, a presidência da CNBB divulgou a mensagem “Pela verdade, pela justiça e pela preservação das instituições democráticas”, na qual manifestou preocupação com acontecimentos envolvendo o STF e defendeu a apuração dos fatos.

No documento, a entidade afirmou que a gravidade do momento e as “legítimas interrogações” existentes na sociedade exigem “serenidade, responsabilidade e respostas institucionais claras”.

A CNBB também sustentou que todos estão submetidos à lei e destacou a necessidade de independência e equilíbrio entre os Poderes.

Eleições e projeto para o Brasil

Spengler também relacionou suas considerações ao processo eleitoral e questionou quais projetos de país estão sendo apresentados aos brasileiros.

“Atualmente, nós, enquanto povo brasileiro, o que queremos para o Brasil? O que sonhamos, desejamos para o nosso Brasil em vista de um futuro melhor, mais justo, mais digno?”, questionou o cardeal.

Para Spengler, a participação da igreja no debate nacional não contradiz sua missão religiosa. Ele afirmou que bispos e integrantes da vida consagrada também são cidadãos e participam da vida cotidiana do Brasil.

Spengler preside a CNBB desde 2023. O mandato à frente da entidade vai até 2027. Ele também é arcebispo de Porto Alegre e foi criado cardeal em dezembro de 2024.

Leia também: "As bestas do apocalipse", artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 340 da Revista Oeste

O post Presidente da CNBB critica ‘politicagem’ no Judiciário apareceu primeiro em Revista Oeste.

Leia também

VER TODAS ›