Presidente do Líbano visita EUA para discutir desarmamento do Hezbollah
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, realizou nesta terça-feira (21) uma visita histórica à Casa Branca, a primeira de um chefe de Estado libanês desde 2009. Ele foi recebido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, realizou nesta terça-feira, 21, uma visita histórica à Casa Branca, a primeira de um chefe de Estado libanês desde 2009. Ele foi recebido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
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Aoun discutiu o futuro das relações entre Líbano e Israel, o enfraquecimento do grupo terrorista Hezbollah e a situação do programa nuclear iraniano, em um encontro marcado por declarações que podem ter impacto em todo o Oriente Médio.
A reunião ocorre em um momento considerado decisivo para o governo de Aoun, cristão maronita, presidente desde janeiro de 2025. Além de buscar consolidar a presença do Estado no sul do país, o presidente tenta reduzir a influência militar do Hezbollah e avançar em negociações inéditas com Israel, tendo como objetivo encerrar décadas de conflito entre os dois vizinhos.
Ao lado do líder libanês no Salão Oval, Trump afirmou que espera ver, em um futuro próximo, mais países aderindo aos Acordos de Abraão, iniciativa patrocinada pelos EUA para normalizar as relações entre Israel e países árabes. O presidente norte-americano também reafirmou o compromisso de Washington em apoiar a estabilização do Líbano.
Desde o fim da guerra civil, em 1990, o país enfrenta uma prolongada crise econômica e as consequências dos conflitos étnicos e religiosos. "O Líbano foi tratado de forma muito injusta durante muito tempo", declarou Trump. "Vamos ajudá-lo e tratá-lo com o respeito que merece."
Questionado sobre a possibilidade de dialogar diretamente com o Hezbollah, organização apoiada pelo Irã e considerada terrorista pelos EUA, Trump respondeu que aceitaria fazê-lo caso esse fosse um pedido do presidente libanês.
A visita ocorreu um dia depois do início do deslocamento de tropas do Exército libanês para áreas do sul do país anteriormente ocupadas por forças israelenses. A movimentação faz parte de uma fase experimental de um acordo mediado pelos EUA, cujo objetivo é ampliar a presença do Exército do Líbano em regiões que eram controladas pelo Hezbollah.
Trump afirmou que Washington acompanhará de perto a implementação desse processo e a transferência do controle dessas localidades para as forças armadas libanesas.
Aoun agradeceu ao presidente norte-americano pelo que classificou como uma conquista histórica ao viabilizar o acordo entre Líbano e Israel. Segundo ele, a meta é encerrar definitivamente décadas de hostilidade entre os dois países e criar condições para uma paz duradoura na região.
Líderes dos EUA e do Líbano falam sobre o Irã
O presidente libanês afirmou acreditar que sua visão de estabilidade coincide com a de Trump e disse esperar que esse esforço possa se transformar em um legado diplomático do governo norte-americano.
Trump voltou a defender a expansão dos Acordos de Abraão, ao ressaltar que eles produziram benefícios econômicos para os países participantes e resistiram às recentes crises na região. Na avaliação do presidente norte-americano, o Líbano poderá desempenhar um papel importante nesse processo.
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O tema iraniano também dominou parte da conversa. Trump afirmou que Teerã busca retomar negociações com Washington, mas advertiu que a opção militar permanece sobre a mesa.
Questionado especificamente sobre a chamada Montanha Pickaxe, uma instalação subterrânea altamente protegida localizada ao sul do complexo nuclear de Natanz, Trump afirmou que os EUA poderão atacar o local em breve "com muita força".
Segundo relatos atribuídos à inteligência israelense, a instalação passou a abrigar centrífugas de enriquecimento de urânio e possivelmente estoques do material depois de danos provocados por ataques dos EUA e das Forças de Defesa de Israel a outras instalações nucleares iranianas.
Em junho de 2025, na Guerra dos 12 Dias, os EUA encerraram os confrontos iniciados por Israel com bombas penetradoras GBU-57 Massive Ordnance Penetrator (MOP) lançadas por bombardeiros B-2 contra a usina subterrânea de Fordow. Israel não tinha equipamento para penetrar nas profundezas do local.
O objetivo declarado por Washington era destruir ou degradar severamente a capacidade iraniana de enriquecimento de urânio. Houve dano significativo, mas, diante de análises independentes, não há garantia de que a estrutura de enriquecimento de urânio foi totalmente desmantelada.
Trump também comentou a possibilidade de os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã no Iêmen, tentarem bloquear o estreito de Bab el-Mandeb em meio ao aumento das tensões regionais. Ele afirmou que, se isso ocorrer, os EUA voltarão a agir, lembrando que operações anteriores reduziram significativamente as ações do grupo.
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