Procuradoria-Geral da Itália recomenda rejeitar extradição de Carla Zambelli
A Procuradoria-Geral da Itália recomendou à Corte Suprema de Cassação a rejeição do segundo pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli, solicitado pelo governo brasileiro. O órgão alegou que o Supremo Tribunal Federal (STF) não teria sido imparcial ao condenar a ex-parlamentar. A defesa de Zambelli afirmou que a recomendação da Procuradoria reduz as chances de extradição.
A Procuradoria-Geral da Itália recomendou nesta quarta-feira, 1º, à Corte Suprema de Cassação a rejeição do segundo pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), solicitado pelo governo brasileiro. O órgão alegou que o Supremo Tribunal Federal (STF) não teria sido imparcial ao condenar a ex-parlamentar. A decisão pode ser divulgada ainda hoje.
A informação foi confirmada a Oeste pela defesa da ex-deputada. "A partir do momento que a Procuradoria-Geral da Itália aceita os argumentos da defesa, já facilita muito com os ministros", afirmou Fábio Pagnozzi. "A chance agora dela ser extraditada é menor."
A defesa argumentou que o crime pelo qual o Brasil pede a extradição — porte ilegal de arma e constrangimento ilegal — é de menor potencial ofensivo, com pena em regime semiaberto. Também apresentou à Corte um processo movido por Zambelli contra o jornalista que se diz vítima do episódio, por difamação, calúnia e injúria, além de documentação que atestaria a regularidade do porte de arma da ex-deputada. Para Pagnozzi, o caso reflete perseguição política conduzida em nome do ministro Gilmar Mendes.
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Também nesta quarta-feira, Zambelli conversou com a coluna e declarou "estar confiante e em oração" com o resultado da audiência que aconteceu na Corte Suprema de Cassação.
Histórico de decisões italianas sobre o caso
Em maio, um tribunal superior italiano já havia recusado o primeiro pedido de extradição, referente à condenação por invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). À época, os magistrados entenderam que o ministro Alexandre de Moraes atuou como vítima, investigador e julgador em diferentes fases do caso, comprometendo a imparcialidade do julgamento.
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O segundo pedido, encaminhado pela Advocacia-Geral da União (AGU) em 11 de junho, baseia-se na condenação de Zambelli por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal. Em agosto de 2025, a ex-deputada recebeu pena de cinco anos e três meses de prisão pelo episódio em que reagiu armada a uma agressão de um homem nas ruas do bairro dos Jardins, em São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições de 2022.
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