Prorrogação do Desenrola é incentivo ao endividamento, diz Estadão
O jornal O Estado de S. Paulo publicou neste sábado, 1º, um editorial em que critica a decisão do governo federal de prorrogar o prazo de adesão ao programa Desenrola Brasil até o fim de agosto. Para o jornal, a medida reforça o caráter eleitoral da iniciativa, anunciada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, e mantém uma política de incentivo ao endividamento durante o período oficial de camp
O jornal O Estado de S. Paulo publicou neste sábado, 1º, um editorial em que critica a decisão do governo federal de prorrogar o prazo de adesão ao programa Desenrola Brasil até o fim de agosto. Para o jornal, a medida reforça o caráter eleitoral da iniciativa, anunciada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, e mantém uma política de incentivo ao endividamento durante o período oficial de campanha.
No texto, o jornal sustenta que a extensão do programa, inicialmente prevista para terminar no próximo dia 3, não tem como objetivo principal reduzir de forma definitiva o endividamento da população.
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Segundo o editorial, o Desenrola "continuará operando em pleno período de campanha eleitoral oficial", o que "só expõe o verdadeiro caráter do programa: render votos a Lula, e não tirar em definitivo milhões de brasileiros do endividamento crônico que lhes rouba a paz".
O Estadão também destaca uma declaração de Durigan ao justificar a prorrogação. O ministro afirmou que "esse prazo adicional vai ser importante, inclusive, para que as pessoas que hoje estão tendo de acessar os programas de moto, carro, para trocar a sua moto, o seu carro, possam resolver eventuais pendências previamente".
Na avaliação do jornal, a fala demonstra que o governo busca permitir que inadimplentes regularizem sua situação financeira para, em seguida, terem acesso a novas linhas de financiamento. O editorial resume esse entendimento ao afirmar que o Executivo está ampliando o prazo "para que brasileiros inadimplentes limpem seu nome na praça e, logo em seguida, voltem a se endividar".
Desenrola dificulta controle da inflação promovido pelo BC
O editorial relaciona a prorrogação do Desenrola a outras iniciativas recentes de incentivo ao crédito, entre elas o programa Move Brasil. Lançado inicialmente para taxistas e motoristas de aplicativos adquirirem novos veículos e, mais tarde, estendido a motociclistas, o programa é apontado pelo Estadão como uma das principais apostas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para recuperar popularidade na disputa pela reeleição.
Segundo o texto, dos R$ 30 bilhões reservados para o Move Brasil, apenas R$ 2,2 bilhões haviam sido liberados até o momento, o equivalente a 7,3% do total. O jornal afirma que esse desempenho levou Lula a cobrar dos bancos públicos maior rapidez na concessão de crédito para taxistas e entregadores de aplicativos.
O Estadão também menciona a atuação da Caixa Econômica Federal, que passou a considerar formal a renda de trabalhadores de plataformas digitais durante a análise de crédito. Em comunicado, o banco informou que "a mudança aperfeiçoa o processo de análise de crédito para esse público".
Essas políticas, pontua o editorial, dificultam o combate à inflação conduzido pelo Banco Central. O jornal cita a Selic de 14,25% ao ano ao argumentar que a ampliação do Desenrola tende a perpetuar o ciclo de endividamento das famílias.
"Não há como a taxa Selic cair de forma sustentada, nem como o brasileiro furar o ciclo da inadimplência, se o governo trabalha incansavelmente para manter os juros altos", conclui o texto.
Leia também: "O fracasso do Desenrola", reportagem de Carlo Cauti publicada na Edição 329 da Revista Oeste
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