Queda no desmatamento é conquista histórica para o Brasil
Números mostram que zerar e reverter a perda da Floresta Amazônica até 2030 é possível e só depende de governo e sociedade quererem chegar lá.
Números divulgados ontem (16/10) permitem dizer com orgulho: nunca na história deste país o desmatamento na Amazônia e no Cerrado foi tão baixo. Ou, mais precisamente, nunca na história do sistema PRODES, do INPE, de monitoramento do território brasileiro.
Os números não caíram do céu ou ocorreram por milagre. São o resultado do tremendo esforço do governo Lula, com Marina Silva como ministra do Meio Ambiente, não apenas em reverter a destruição da gestão de Jair Bolsonaro, mas também em cumprir a meta de zerar o desmatamento no país até 2030. Um trabalho que pode virar cinzas — literalmente —, dependendo do resultado do segundo turno das eleições presidenciais, no dia 25 de outubro.
Vamos aos números. A Amazônia registrou entre agosto de 2025 e julho de 2026 um recorde histórico de queda no desmate: 3.335 km², o menor valor desde que as medições por satélite tiveram início, em 1988. O número é 42% menor do que o do ano passado (5.731 km²) e representa uma queda de 71%, considerando os últimos quatro anos.
A redução do desmatamento na Amazônia durante todo o governo Lula (ou seja, a partir de janeiro de 2023) evitou a emissão de cerca de 1,2 bilhão de toneladas de gases de efeito estufa, estima o físico Shigueo Watanabe Jr., pesquisador do ClimaInfo. É um volume comparável às emissões totais da França acumuladas entre 2023 e 2025, que totalizaram cerca de 1,1 bilhão de toneladas de CO₂ equivalente, segundo dados do inventário nacional francês.
No Cerrado, bioma mais rapidamente devastado no Brasil, a área desmatada também foi a menor da história, 5.516 km². É uma queda de 23,7% em relação ao ano passado (7.235 km²) e de 48,4% nos últimos quatro anos.
Os dados do INPE representam uma vitória da sociedade brasileira e são motivo de celebração. E também passam três recados claros, destaca o Observatório do Clima.
O primeiro é que zerar o desmatamento é possível. A atual administração assumiu após quatro anos da política antiambiental deliberada do governo de Jair Bolsonaro, que provocou a maior alta do desmate em um mandato presidencial desde o início da série histórica — 60% de aumento em relação ao período anterior — e devolveu a devastação ao menor patamar já registrado em quase quatro décadas. Nos quatro anos do atual governo Lula, a Amazônia perdeu 24.648 km², 46% a menos do que o total desmatado no governo Bolsonaro, de 45.586 km².
O segundo é que é preciso vontade política para que isso aconteça. Os números divulgados ontem são fruto de uma determinação clara e sustentada de proteção ambiental implementada pelo governo, que envolveu um conjunto de políticas públicas de combate aos crimes ambientais, estruturado sob a liderança de Marina Silva. Ações do IBAMA, como os embargos coletivos de áreas desmatadas e os embargos remotos por satélite, bem como a ampliação de instrumentos de financiamento, como o Fundo Amazônia e programas de apoio a municípios, foram fundamentais para os resultados.
O terceiro é que controlar o desmatamento é uma boa notícia não só para o meio ambiente. É bom para o clima, como mostrado acima, pois o controle da destruição da floresta evita a emissão de gases de efeito estufa na atmosfera. E é bom para o agronegócio, cujo PIB para 2026 é estimado em R$ 3,13 trilhões — uma alta de 17,67% em relação ao de 2022, último ano do governo de Jair Bolsonaro.
“Esses números são uma conquista histórica. Eles colocam o Brasil como protagonista na agenda de proteção das florestas e mostram ao mundo que, com vontade política, é possível frear as motosserras e as emissões de gases de efeito estufa”, reforça Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima.
Este conteúdo é originalmente de climainfo.org. Para a reportagem completa, acesse:
https://climainfo.org.br/2026/10/16/queda-no-desmatamento-e-conquista-historica-para-o-brasil/
Fonte: climainfo.org · Por Célia Mello
