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Receita Federal realiza maior apreensão de canetas emagrecedoras vindas do Paraguai

A Receita Federal realizou nesta sexta-feira, 10, na Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu (PR), a maior apreensão de canetas e ampolas para emagrecimento já registrada na aduana da fronteira entre Brasil e Paraguai. Foram apreendidas 5.850 unidades escondidas sob o capô de uma van com placa paraguaia que tentava entrar no Brasil.

A Receita Federal realizou nesta sexta-feira, 10, na Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu (PR), a maior apreensão de canetas e ampolas para emagrecimento já registrada na aduana da fronteira entre Brasil e Paraguai. Foram apreendidas 5.850 unidades escondidas sob o capô de uma van com placa paraguaia que tentava entrar no Brasil, relata a Folha de S. Paulo.

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O veículo era conduzido por um motorista paraguaio. Ele levava quatro passageiros, três deles brasileiros. De acordo com a Receita, a fiscalização não havia identificado irregularidades nas mercadorias transportadas pelos ocupantes, que estavam dentro da cota permitida para viajantes. A situação mudou quando os agentes determinaram a abertura do capô. Segundo o órgão, o motorista simulou que atenderia à ordem, mas fugiu em direção ao Paraguai.

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A vistoria revelou um compartimento utilizado para esconder milhares de canetas e ampolas. Entre os produtos estavam medicamentos à base de tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, e também retatrutida, substância que ainda permanece em fase experimental e não possui aprovação para comercialização em nenhum país.

Além da tentativa de entrada irregular no Brasil, a Receita destacou que a carga era transportada em desacordo com as recomendações do fabricante. A tirzepatida exige refrigeração durante armazenamento e transporte para preservar sua eficácia, mas os medicamentos estavam escondidos junto ao motor do veículo, expostos ao calor.

A substância, segundo o fabricante, precisa ser mantida em local refrigerado, normalmente entre 2°C e 8°C, até o uso. O medicamento pode permanecer fora da geladeira por um período limitado, desde que não ultrapasse 30°C, conforme as orientações da bula. Depois desse período ou se for exposto a temperaturas acima do recomendado, sua estabilidade pode ser comprometida.

A van foi apreendida e os medicamentos, avaliados em aproximadamente R$ 735 mil, permanecerão sob custódia da alfândega da Receita Federal em Foz do Iguaçu até serem destruídos. Os passageiros prestaram depoimento e foram liberados.

A importação de marcas paraguaias de tirzepatida é proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A situação já suscitou várias disputas judiciais para a importação do produto. Ainda assim, esses produtos continuam entrando ilegalmente no país, impulsionados pelo baixo preço e pela facilidade de compra no Paraguai.

O avanço do mercado clandestino vem em grande parte por causa do preço menor deste produto vindo do Paraguai. Enquanto um tratamento mensal com Mounjaro de 15 mg custa a partir de R$ 3.499 no Brasil, versões comercializadas em farmácias de Ciudad del Este podem ser adquiridas por cerca de R$ 430, sem exigência de receita médica.

A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, declara que o medicamento depende de controle rigoroso de temperatura em toda a cadeia logística. A empresa alerta que produtos comercializados fora dos canais autorizados podem ter perdido eficácia ou até representar risco aos pacientes, já que não há garantia sobre as condições de armazenamento e transporte.

Até esta apreensão, o maior flagrante na região havia ocorrido em 29 de abril de 2024, quando 4.598 canetas emagrecedoras foram interceptadas na BR-277. CAs apreensões realizadas pela Receita Federal em 2026 chegaram, a partir desta sexta-feira, a 115.647 canetas e ampolas, contra 7.479 registradas em 2025, alta de 1.446,3%.

Outros episódios recentes mostram a intensificação do contrabando. No último dia 3, um casal e uma criança foram flagrados transportando 2.707 unidades de tirzepatida e retatrutida. Também nesta sexta-feira, fiscais localizaram outras 52 caixas de ampolas da marca TG escondidas em um compartimento falso instalado no filtro de ar de uma motocicleta paraguaia.

O aumento das apreensões não se limita aos dados da Receita Federal. Com base em informações obtidas junto à PF por meio da Lei de Acesso à Informação, o jornal O Globo, na última semana, relatou que as ocorrências passaram de nove em 2024 para 335 em 2025 e já somavam 758 apenas nos cinco primeiros meses de 2026. No período entre janeiro e meados de junho, o volume apreendido foi cerca de vinte vezes superior ao registrado no mesmo intervalo do ano anterior.

Canetas emagrecedoras do Paraguai apreendidas pela Receita Federal

As rotas terrestres vindas do Paraguai concentram a maior parte desse fluxo ilegal. O Paraná responde por 37% das ocorrências e por mais da metade das unidades apreendidas. Somado ao Mato Grosso do Sul, o corredor de fronteira reúne quase metade dos casos registrados e cerca de 60% de todos os medicamentos retidos, que têm como principais destinos mercados consumidores como São Paulo e Rio de Janeiro.

Leia mais: "Canetas emagrecedoras devem movimentar R$ 20 bilhões, aponta estudo"

O avanço do contrabando ocorre paralelamente ao aumento das notificações de efeitos adversos registradas pela Anvisa. Os relatos passaram de 257 em 2023 para 449 em 2024 e alcançaram 1.122 em 2025, indicando uma circulação cada vez maior desses medicamentos no país.

As canetas emagrecedoras pertencem à classe dos agonistas do GLP-1, hormônio relacionado ao controle da glicemia e da saciedade. Autoridades sanitárias alertam que produtos introduzidos ilegalmente no Brasil não oferecem garantia de procedência, composição ou conservação, o que pode comprometer sua segurança e eficácia.

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