Rede brasileira de conservação do Cerrado recebe prêmio da ONU
A Rede Araticum, uma rede colaborativa brasileira, foi premiada pela ONU por seu trabalho de conservação do Cerrado. A iniciativa pretende recuperar 2 milhões de hectares do bioma até 2030. Também receberam reconhecimento projetos na África e na Arábia Saudita.
A ONU concedeu na 4ª feira (26/8) o prêmio World Restoration Flagship à rede colaborativa Araticum, voltada à conservação do Cerrado. O prêmio reconhece iniciativas voltadas à restauração de ecossistemas degradados.
O anúncio foi feito pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) na COP17 de Combate à Desertificação, que acontece na Mongólia. Além da Araticum, também foram premiadas iniciativas em curso no Sahel, na África, e na Arábia Saudita, informa a Folha.
Criada em 2020, a Araticum – Articulação pela Restauração do Cerrado monitora 27 mil hectares do bioma. Sua atuação abrange o Distrito Federal e os estados da Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Piauí, São Paulo e Tocantins.
A iniciativa reúne mais de 180 organizações, Povos Indígenas e Quilombolas, comunidades locais, agricultores, pesquisadores, organizações da sociedade civil, iniciativa privada e instituições governamentais para apoiar projetos de restauração. O trabalho é realizado por meio da regeneração natural, da semeadura direta, da restauração ecológica e de sistemas agroflorestais com espécies nativas, explica o WWF-Brasil.
“Restaurar o Cerrado significa cuidar do nosso clima, da nossa água e do nosso futuro”, afirmou Fabrícia Santarém, coordenadora da Araticum e coletora de sementes da Geraizeira. “A escolha do nosso bioma como uma Iniciativa de Referência da Restauração Mundial da Década da ONU da Restauração de Ecossistemas reafirma a necessidade de investir na restauração de florestas, savanas e campos nativos, bem como na autonomia e no fortalecimento das organizações comunitárias que estão na linha de frente da conservação.”
Outra ação premiada foi a Iniciativa Integrada de Resiliência do Sahel. O projeto, implementado em Burkina Faso, Chade, Mali, Mauritânia e Níger, está restaurando terras degradadas e, ao mesmo tempo, fortalecendo os meios de subsistência e os sistemas alimentares. Isso inclui apoio a refugiados transfronteiriços do Sudão, devastado pela guerra.
Liderada pelo Programa Mundial de Alimentos , a iniciativa já havia restaurado mais de 335 mil hectares de terras degradadas até junho de 2026 e pretende restaurar 470 mil hectares até 2030. Combinando técnicas de reabilitação de terras, gestão de solos e água, apoio à subsistência e programas de alimentação escolar, a iniciativa beneficiou mais de 4 milhões de pessoas em toda a região.
Já na Arábia Saudita, o também premiado Programa Nacional de Arborização visa transformar paisagens degradadas em pastagens, florestas, desertos, áreas urbanas e ecossistemas costeiros, incluindo manguezais. Com a meta de restaurar 2,5 milhões de hectares e plantar 215 milhões de árvores até 2030, além de gerar até 187 mil empregos e melhorar a qualidade do ar urbano, o programa contribui para o objetivo nacional do governo de restaurar 40 milhões de hectares e plantar 10 bilhões de árvores até 2100.
Este conteúdo é originalmente de climainfo.org. Para a reportagem completa, acesse:
https://climainfo.org.br/2026/08/26/onu-premia-rede-colaborativa-brasileira-voltada-a-conservacao-do-cerrado/
Fonte: climainfo.org · Por Célia Mello
