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Repressão do CFP à expressão religiosa de psicólogos repercute nos EUA

A repercussão do debate sobre liberdade religiosa e exercício profissional na psicologia do Brasil chegou ao exterior. Psicólogos cristãos contestam uma resolução do Conselho Federal de Psicologia (CFP) que proíbe a associação do título profissional a identidades religiosas em espaços de divulgação pública. Críticos da medida afirmam que a norma restringe a expressão da fé; o CFP sustenta que

A repercussão do debate sobre liberdade religiosa e exercício profissional na psicologia do Brasil chegou ao exterior. Psicólogos cristãos contestam uma resolução do Conselho Federal de Psicologia (CFP) que proíbe a associação do título profissional a identidades religiosas em espaços de divulgação pública.

Críticos da medida afirmam que a norma restringe a expressão da fé; o CFP sustenta que a regra protege pacientes e preserva o caráter laico da profissão. Reportagem da revista norte-americana Christianity Today, publicada nesta segunda-feira, 1º, ouviu denúncias de repressão seletiva a psicólogos por parte do CFP.

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No Brasil, a discussão ganhou visibilidade nacional depois que a psicóloga Larissa Lima publicou, em abril, uma mensagem no X. “No Brasil, um psicólogo pode se dizer de esquerda, feminista, decolonial, qualquer coisa, menos cristão”, escreveu. A postagem alcançou cerca de 2 milhões de visualizações e desencadeou intenso debate.

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Segundo Larissa, a controvérsia se agravou quando usuários recuperaram uma mensagem publicada por ela no Instagram em defesa do direito de cristãos que sentem atração pelo mesmo sexo e optam pelo celibato por convicção religiosa terem essa decisão respeitada por terapeutas. Parte dos críticos acusou a psicóloga de promover a chamada "terapia de conversão", interpretação que ela rejeita.

“Não acredito que exista perseguição religiosa no Brasil”, afirmou. “Mas vejo uma intolerância clara ao cristianismo dentro da psicologia.”

A base do embate é a Resolução nº 7, editada pelo CFP em 2023. A norma impede que psicólogos utilizem o título profissional associado a identidades religiosas em divulgações públicas, além de vedar práticas como o proselitismo durante atendimentos e a promoção de serviços vinculados a crenças específicas.

https://twitter.com/AliancaLGBTI/status/1622008874449489924

Em nota enviada à revista Christianity Today, o CFP declarou que a resolução não limita a liberdade de crença dos profissionais. “Todo psicólogo, como cidadão, tem plena liberdade para expressar sua fé, religiosidade ou espiritualidade na vida privada e em redes sociais estritamente pessoais, desde que essas manifestações não estejam associadas à promoção de serviços profissionais sob o título de psicólogo”, informou.

Para o conselho, a restrição não recai sobre a crença individual, mas sobre a publicidade profissional vinculada a uma religião.

Larissa concorda com parte das diretrizes, especialmente aquelas voltadas à proteção dos pacientes. Ainda assim, considera que a norma extrapola sua finalidade ao reduzir a visibilidade de profissionais cristãos.

https://twitter.com/sccplaris/status/2042713702084878778

“Se não podemos nos chamar cristãos, nos tornamos menos visíveis. Isso dificulta até que pacientes que desejam consultar um psicólogo cristão consigam encontrá-lo”, disse à Christianity Today. “Alguns cristãos só se sentem confortáveis com profissionais que respeitam sua fé, e eles têm o direito de buscar isso.”

A psicóloga relata ter sido alvo de denúncias éticas desde 2023 por manifestações religiosas em suas redes sociais. Em um primeiro momento, o Conselho Regional de Psicologia (CRP) pediu a remoção de conteúdos religiosos de seu perfil pessoal. Ela recusou e negociou a criação de uma conta exclusivamente profissional.

Com a entrada em vigor da Resolução nº 7, novas reclamações foram registradas. Desta vez, o CRP exigiu a retirada de uma publicação em que orientava pacientes cristãos sobre critérios para escolher abordagens psicológicas compatíveis com suas convicções.

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“Se eu apagar aquela postagem, estarei dizendo ao CRP que ele tem poder para regular minha vida pessoal e minhas redes sociais pessoais. O que vem depois?”, questionou.

Ela afirma ter se recusado a assinar um documento comprometendo-se a excluir o conteúdo e teme que o caso evolua para um processo ético formal, situação que poderia resultar até mesmo na perda do registro profissional.

A controvérsia chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em 2023, o Partido Novo e o Instituto Brasileiro de Direito e Religião ingressaram com ação questionando a constitucionalidade da resolução. O julgamento começou, em sessão virtual, em março.

Até o momento, apenas o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, apresentou voto. Para ele, a norma busca proteger os pacientes e não restringe a liberdade religiosa dos psicólogos. A análise foi transferida para julgamento presencial, ainda sem data definida.

O ministro do STF Alexandre de Moraes | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

No Congresso Nacional, o senador Magno Malta (PL-ES), pastor evangélico, apresentou proposta para criar uma iniciativa suprapartidária destinada a acompanhar e contestar regulamentações de conselhos profissionais consideradas excessivas em relação à manifestação religiosa.

“Embora o Brasil seja um Estado laico, isso não significa que seja antirreligioso”, argumentou Malta. Na avaliação do senador, exigir a completa separação entre fé e identidade profissional compromete a dignidade individual.

Entre os críticos da resolução está o psicólogo clínico, teólogo e pesquisador Aender Borba. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele acusou o sistema de conselhos de ultrapassar suas atribuições.

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“O que o conselho está fazendo não se baseia apenas em critérios científicos. Trata-se de abuso de poder e da construção de uma narrativa de ódio, especialmente contra os cristãos”, afirmou.

Borba sustenta que a Constituição protege a liberdade de crença e de expressão dos profissionais fora do ambiente de trabalho. Segundo ele, a resolução também contribui para criar uma imagem negativa dos cristãos e utiliza a ciência como justificativa para controlar convicções pessoais.

CFP nega perseguição ideológica a psicólogos cristãos

O CFP rejeita as acusações. “O sistema de conselhos de psicologia não realiza monitoramento, perseguição ideológica ou vigilância seletiva de crenças”, declarou à Christianity Today. O órgão acrescentou que denúncias somente avançam quando existem indícios consistentes de violações éticas, como o uso de técnicas sem respaldo científico, proselitismo ou publicidade associada a preceitos religiosos.

https://twitter.com/sccplaris/status/2058933381375685013

O debate também envolve pacientes. A cineasta Laís Cristina, de 33 anos, relata que encontrou em uma psicóloga cristã um ambiente seguro para enfrentar crises de ansiedade. Criada em um lar evangélico, ela demorou a procurar ajuda profissional por acreditar que a fé deveria ser suficiente para lidar com o sofrimento emocional.

“Até eu entender que estava enfrentando problemas emocionais, foi um desafio. Como minha fé poderia não ser suficiente?”, recorda. Segundo Laís, a terapia não substituiu sua espiritualidade, mas atuou em conjunto com ela. “Eu não teria superado a ansiedade sem a fé. Sem ela, a terapia sozinha não bastava.”

A psicóloga que a acompanhou também era cristã. “Ela não chegava com as respostas prontas, mas me ajudava a trazer à tona aquilo em que eu acreditava. Dizia: ‘Vamos relacionar suas decisões com sua fé’.”

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Embora reconheça críticas frequentes à psicologia em segmentos evangélicos, Larissa Lima defende a integração entre conhecimento científico e valores religiosos. Para ela, ferramentas psicológicas podem auxiliar pessoas a lidar com sofrimento emocional sem que isso implique abandono de convicções espirituais.

Mesmo diante da possibilidade de sanções disciplinares, a psicóloga afirma que pretende continuar manifestando publicamente sua fé. Segundo ela, a discussão transcende sua situação pessoal.

“Se a preocupação no Brasil é a saúde mental, eu deveria ser apoiada, não perseguida”, declarou à Christianity Today. “Nosso país tem índices elevados de depressão e ansiedade. E também tem um número muito grande de cristãos. Algo me diz que essa população não está sendo alcançada.”

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Este conteúdo é originalmente de Revista Oeste. Para a reportagem completa com todos os detalhes, acesse:
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Fonte: Revista Oeste · Por Isabela Jordão

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