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Rui Costa ampliou Credcesta antes de negócio com ex-sócio do Master

O então governador da Bahia, Rui Costa (PT), editou dois decretos em 27 de abril de 2018 que ampliaram a atuação do Credcesta no mercado de crédito. O cartão estatal havia sido vendido 16 dias antes pelo governo baiano, junto com a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal). Criada em 1980 pelo ex-governador Antônio Carlos Magalhães, a Ebal administrava a rede Cesta do Povo, que vendia alimentos básic

O então governador da Bahia, Rui Costa (PT), editou dois decretos em 27 de abril de 2018 que ampliaram a atuação do Credcesta no mercado de crédito. O cartão estatal havia sido vendido 16 dias antes pelo governo baiano, junto com a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal).

Criada em 1980 pelo ex-governador Antônio Carlos Magalhães, a Ebal administrava a rede Cesta do Povo, que vendia alimentos básicos com subsídios estaduais. O Credcesta começou a operar em 1996 para permitir que servidores comprassem produtos a prazo, com desconto em folha.

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A Ebal, porém, acumulou prejuízos. O governo baiano iniciou a privatização no fim de 2014 e tentou vender a empresa em 2016 e 2018, com lance inicial de R$ 81 milhões. Sem interessados, a venda ocorreu em abril de 2018 por R$ 15 milhões, depois da reformulação do edital na gestão de Rui Costa.

Negociação e mudança nas regras

O senador Jaques Wagner (PT-BA) articulou a negociação com o empresário Augusto Lima, futuro sócio do Banco Master. Ele confirmou a articulação em entrevista ao programa Giro Baiana, da BNewsTV, em 27 de janeiro de 2026. Lima comprou a Ebal com o investidor espanhol Ignacio Morales e o empresário Joel Feldman. Meses depois, assumiu sozinho o controle do cartão.

Trajetória de Augusto Lima na área de finanças teve início em 2028 | Foto: Paulo Mocofaya/Alba

O decreto nº 18.353 autorizou o operador do Credcesta a oferecer operações de crédito e financeiras. Já o decreto nº 18.354 incluiu o cartão no sistema de consignação em folha e criou uma margem própria de até 30% da remuneração líquida dos servidores. Até 15% poderia ser usado em operações financeiras.

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As medidas permitiram empréstimos consignados com juros para cerca de 280 mil servidores estaduais. No fim de 2018, Lima buscou sócios para financiar a operação. O BMG recusou a proposta. Ele negociou então com o Banco Máxima, que se tornou o Master, de Daniel Vorcaro.

Os registros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) revelaram negociações em setembro de 2018. Lima indicou o Máxima para a compra de uma carteira de créditos. Em dezembro, informou ao Banco Central a intenção de se tornar acionista da instituição. Ainda em 2018, Vorcaro adquiriu 50% da PKL, empresa de Lima que detinha os direitos do Credcesta.

Juros e expansão do cartão

Em janeiro de 2019, o Departamento de Recursos Humanos da Bahia comunicou aos servidores o envio de novos cartões do Credcesta, sob gestão de Lima. O aviso informou a inclusão da opção de saque em dinheiro.

Os controladores expandiram o cartão para 24 unidades da Federação e 176 municípios em 2024. Entre o fim de 2019 e o primeiro semestre de 2020, as taxas cobradas variaram de 4,72% a 4,98% ao mês. No mesmo período, a taxa média do crédito consignado público registrada pelo Banco Central ficou entre 1,37% e 1,59% ao mês.

Credcesta foi um dos negócios mais lucrativos do Master | Foto: Divulgação/Credcesta

O Banco Master usou as carteiras de crédito consignado do Credcesta em operações de securitização e revenda para bancos e fundos de investimento. Dados da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado mostram que a revenda das carteiras rendeu R$ 1,6 bilhão ao banco em 2024. A arrecadação com juros somou R$ 709 milhões.

Entre 2022 e 2024, a comercialização das carteiras gerou R$ 2,4 bilhões, ante R$ 1,9 bilhão obtido com juros. Em 2024, o banco declarou R$ 10,5 bilhões em direitos a receber ligados ao produto.

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