Rússia emite mandado de prisão internacional contra fundador do Telegram
O governo russo anunciou nesta quarta-feira, 29, a emissão de um mandado de prisão internacional contra Pavel Durov, fundador do Telegram. As autoridades acusam o empresário de facilitar atividades terroristas ao permitir que serviços de inteligência da Ucrânia utilizassem a plataforma para recrutar jovens russos envolvidos em ataques e atos de sabotagem.
A Rússia anunciou nesta quarta-feira, 29, a emissão de um mandado de prisão internacional contra Pavel Durov, fundador do Telegram. As autoridades acusam o empresário de facilitar atividades terroristas ao permitir que serviços de inteligência da Ucrânia usassem a plataforma para recrutar jovens russos envolvidos em ataques e atos de sabotagem.
Segundo o Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB), o Telegram não removeu conteúdos que teriam servido para coordenar ações classificadas pelo governo como terrorismo, sabotagem, assassinatos em massa e fraudes cibernéticas dentro do território russo.
De acordo com o FSB e o Comitê de Investigação da Rússia, agentes ucranianos usaram o chatbot de relacionamentos Daivinchik, também conhecido como Leo, e se passaram por mulheres para atrair jovens russos e convencê-los a cometer crimes.
As autoridades afirmam que, no último ano, prenderam 46 pessoas entre 12 e 22 anos suspeitas de participação em ataques contra agentes de segurança e incêndios em instalações de transporte, energia, telecomunicações e instituições financeiras.
Telegram reage às acusações
O governo russo informou que incluirá Durov em uma lista internacional de procurados, mas não detalhou qual mecanismo jurídico utilizará. Até o momento, a Interpol não se manifestou sobre o caso.
Nascido na Rússia, Pavel Durov vive em Dubai e possui cidadania dos Emirados Árabes Unidos e da França.
Em resposta, o Telegram publicou uma mensagem na rede social X com uma imagem de Durov fazendo um gesto obsceno, sem comentar diretamente as acusações apresentadas pelas autoridades russas.
O fundador da plataforma também enfrenta investigações na França. Em 2024, as autoridades o prenderam sob a acusação de que o Telegram não adotava medidas suficientes para combater atividades criminosas nem colaborava de forma adequada com as autoridades francesas. Posteriormente, a Justiça autorizou sua saída do país enquanto o processo continua em andamento.
Nos últimos anos, a Rússia ampliou as restrições ao acesso de plataformas tecnológicas estrangeiras e intensificou o controle sobre serviços digitais utilizados pela população.
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