Safra recorde de grãos pressiona logística e cidades do agro
A safra brasileira de grãos, estimada em 353 milhões de toneladas em 2026, amplia a pressão sobre a infraestrutura logística e os municípios ligados ao agronegócio. Em entrevista ao programa A Força do Agro, da Revista Oeste, o especialista em mercado imobiliário e desenvolvimento urbano Jorge Metelo afirmou que o crescimento da produção exige planejamento para que as cidades aproveitem as oport
A safra brasileira de grãos, estimada em 353 milhões de toneladas em 2026, amplia a pressão sobre a infraestrutura logística e os municípios ligados ao agronegócio. Em entrevista ao programa A Força do Agro, da Revista Oeste, o especialista em mercado imobiliário e desenvolvimento urbano Jorge Metelo afirmou que o crescimento da produção exige planejamento para que as cidades aproveitem as oportunidades econômicas do setor.
Segundo Metelo, o primeiro impacto aparece na mobilidade. O transporte da produção aumenta o fluxo de veículos e exige estradas, armazéns e estruturas para o escoamento. Depois, a expansão alcança outros segmentos, como moradia, energia elétrica, comércio e prestação de serviços.
O especialista ressaltou que alguns municípios funcionam apenas como corredores de passagem, enquanto outros conseguem atrair empresas e manter parte da atividade econômica em seu território. Para isso, a infraestrutura logística e a instalação de indústrias de apoio são fatores importantes.
Metelo também destacou a necessidade de acompanhar indicadores como produtividade, emprego formal, renda, disponibilidade de mão de obra, preços dos terrenos e regras de uso do solo. A análise conjunta desses dados ajuda investidores a identificarem regiões com potencial de crescimento.
Planejamento urbano é decisivo para o agro
O avanço da atividade agrícola também aumenta a procura por profissionais de diferentes áreas. Além de operadores de máquinas e mecânicos, a cadeia demanda advogados, contadores, médicos e outros prestadores de serviços. O movimento pode ampliar o mercado imobiliário, com maior procura por residências, pontos comerciais e armazéns.
Ribeirão Preto (SP) é um exemplo da relação entre agronegócio e economia urbana. Eventos como a Agrishow elevam a demanda por hospedagem e serviços, o que exige capacidade para receber visitantes e profissionais do setor.
De acordo com Metelo, o poder público precisa dialogar com o setor produtivo e antecipar investimentos em infraestrutura. Quando o município não acompanha a expansão econômica, pode enfrentar congestionamentos, pressão sobre os serviços e perda de oportunidades para cidades vizinhas mais preparadas.
Entre as regiões que merecem atenção, o especialista citou o Matopiba, o interior de São Paulo e o Arco Norte, onde a logística pode estimular novos polos econômicos. Para ele, o desafio é converter o aumento da produção em atividade permanente, empregos e desenvolvimento urbano.
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