Senadores de oposição reagem a mensagens entre ex-banqueiro e ministro do STF
Senadores de oposição criticaram a divulgação de conversas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). As mensagens sugerem que Vorcaro pedia a Moraes que interferisse nas investigações da Operação Compliance Zero e condicionava suas ações jurídicas à avaliação do ministro.
Parlamentares de oposição no Senado reagiram à divulgação de mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os diálogos indicam que Vorcaro recorria ao ministro para tentar conter o avanço das investigações da Operação Compliance Zero e condicionava seus próprios movimentos jurídicos à avaliação de Moraes.
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A repercussão aumentou nesta terça-feira, 1º, depois da divulgação de metadados de um contrato de R$ 131,2 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. Os registros demonstram que uma versão do documento foi aberta e alterada por um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”, às 23h04 de 15 de janeiro de 2024.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou a Oeste que a divulgação das conversas representa uma “bomba” e disse que está avaliando, com os demais integrantes da oposição, quais medidas podem ser adotadas no Senado. “Eu não vou me omitir”, afirmou.
Nas suas redes sociais, Damares apelou para que o ministro entregue o cargo. "Moraes precisa pedir afastamento do cargo que ocupa até que as investigações sejam concluídas", disse.
O senador Eduardo Girão (Novo-CE), candidato a vice-presidente na chapa de Romeu Zema (Novo), também reagiu ao caso. Girão enfatizou que “não dá mais para empurrar fatos dessa gravidade para debaixo do tapete”. Atualmente, Girão está licenciado em virtude de sua candidatura à vice-Presidência.
Já o senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI do INSS, afirmou nas redes sociais que “o Senado já não pode mais se esconder”. Segundo o parlamentar, “o Brasil já viu coisa demais ser enterrada”. Viana também anunciou uma coletiva de imprensa para as 15 horas desta terça-feira, quando pretende apresentar as medidas que a oposição avalia adotar diante das novas revelações.
De acordo com apuração de Oeste, parlamentares da oposição avaliam que um novo pedido de impeachment contra Moraes, por si só, não seria suficiente para afastar o ministro. “Alcolumbre faz parte do acordão da República, que foi feito na casa de Moraes”, afirmou um interlocutor, sob condição de anonimato. “O que fazer? Não há votos suficientes para afastá-lo da Presidência do Senado. A direita não tem votos suficientes.”
Ainda assim, a oposição deve protocolar um novo pedido de impeachment contra Moraes como forma de pressionar o Senado a se posicionar sobre o caso.
Vorcaro pediu ajuda de Moraes
As mensagens extraídas do celular de Vorcaro mostram o banqueiro pediu a Moraes que acionasse o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Em uma delas, Vorcaro afirma: “Não vou fazer nenhum movimento que você não achar produtivo”.
Dois dias antes de sua primeira prisão, em novembro de 2025, o banqueiro voltou a procurar Moraes. “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei?", interpelou. "Muita sacanagem isso.” Na véspera da prisão, perguntou se seria possível segurar as medidas e se Andrei Rodrigues poderia adiá-las.
O contrato entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes previa 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões líquidos. Com os impostos previstos no acordo, o valor bruto chegava a R$ 131,27 milhões. Segundo documentos encaminhados à CPI do Crime Organizado, o escritório recebeu R$ 80,2 milhões em 22 pagamentos realizados entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025.
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O documento foi enviado inicialmente por Viviane a Vorcaro em 11 de janeiro de 2024. Quatro dias depois, o banqueiro devolveu a minuta com uma alteração e pediu que o escritório avaliasse a inclusão de uma cláusula. Cerca de uma hora e 40 minutos depois, às 23h04, os metadados registraram a abertura e a alteração do arquivo por um perfil denominado “Ministro Alexandre de Moraes”.
A versão analisada identifica Guilherme de Toledo Benazzi, administrador do escritório, como autor do documento. O escritório Barci de Moraes confirmou ao jornal O Estado de S. Paulo que Moraes teve acesso ao contrato e afirmou que sua participação ocorreu para verificar, a pedido do setor de compliance, se havia algum impedimento legal para a contratação. Segundo a banca, não havia impedimento e o contrato não previa atuação perante o STF.
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