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Síria apura possível refúgio de parentes de Assad no Brasil

Autoridades sírias investigam a possibilidade de dois parentes do ex-presidente Bashar al-Assad terem buscado asilo no Brasil, após condenações à morte decretadas pelo novo governo do país. A perseguição a familiares do ex-líder aumentou desde que ele foi deposto, em dezembro de 2024.

Autoridades sírias acreditam que dois parentes do ex-ditador Bashar al-Assad possam ter buscado refúgio no Brasil, depois de condenações à morte impostas pelo novo governo da Síria. O regime sírio intensificou a perseguição a familiares de Assad desde a deposição do ex-presidente em dezembro de 2024. A informação foi divulgada pelo portal Metrópoles.

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Essas suspeitas vieram à tona durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP30), realizada em Belém, quando membros da comunidade síria no Brasil informaram a delegação de Damasco sobre a possível presença dos primos de Assad no país. O novo presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, liderou o evento e recebeu os relatos de inteligência de compatriotas residentes no Brasil.

Família Assad sob perseguição e sentenças de morte

A família Assad comandou a Síria por 54 anos, de 1970 a 2024. Bashar assumiu o poder em 2000, logo depois da morte de Hafez al-Assad. Deposto em dezembro de 2024, Bashar al-Assad passou a ser acusado de crimes de guerra cometidos durante os 13 anos de guerra civil, iniciada em 2011. Em agosto deste ano, ele foi sentenciado à morte em julgamento à revelia.

Além de Bashar al-Assad, outros três familiares receberam penas capitais: Maher al-Assad, irmão do ex-presidente; Atef Najib, primo e ex-chefe de segurança; e Wassim al-Assad, também primo. Atef e Wassim compareceram presencialmente ao tribunal em Damasco, enquanto Bashar e Maher permanecem exilados na Rússia, e a execução das sentenças depende da cooperação de Moscou com o governo sírio.

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Investigações apontam parentes no Brasil

As investigações sírias identificaram um dos primos suspeitos de estar no Brasil como irmão de Wassim al-Assad, condenado à morte em 18 de agosto. Engenheiro de formação, ele teve destaque na região de Latakia, onde foi acusado de envolvimento em contrabando e tráfico no porto local, além de ser filiado ao Partido Baath e ter ocupado vaga no Parlamento Sírio.

No início deste mês, autoridades sírias solicitaram o bloqueio dos bens desse primo, e alegaram participação em milícia chamada al-Wa’ad al-Sadiq. O outro primo seria filho de Rifaat al-Assad, antigo vice-presidente sírio e irmão de Hafez al-Assad. Por sua ligação com o regime, ele enfrenta sanções impostas pela União Europeia, Mônaco, Suíça, Bélgica e França desde 2023.

Ambos teriam deixado a Síria depois da destituição de Bashar al-Assad, em 2024, e as buscas por eles se intensificaram. Entretanto, fontes do Metrópoles indicam que obstáculos burocráticos na Embaixada da Síria no Brasil têm dificultado o avanço das investigações. Depois da saída da ex-embaixadora Rania al Haj Ali, funcionários ligados ao antigo regime continuam na representação, o que prejudica a comunicação entre Damasco e Brasília.

Impasses diplomáticos e expectativa de mudança

A expectativa é que, com a nomeação de novos embaixadores depois das eleições deste ano, o quadro possa mudar, e permitir maior cooperação diplomática. Funcionários do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, consultados sob anonimato, disseram ao Metrópoles que a presença de familiares de Bashar al-Assad no país não é uma atribuição da diplomacia brasileira.

Leia também: “O retrato da ineficiência” artigo de Yasmin Alencar na Edição 332 da Revista Oeste

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