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Tarifa dos EUA ameaça benefícios fiscais de exportadores brasileiros

Empresas brasileiras que exportam para os Estados Unidos podem perder benefícios fiscais e pagar mais tributos no Brasil devido à tarifa adicional de 25% anunciada pelo governo norte-americano, que entra em vigor na próxima quarta-feira, 22. A perda de competitividade no mercado dos EUA pode dificultar o cumprimento das exigências de regimes aduaneiros especiais previstos na legislação brasileira.

Empresas brasileiras que exportam para os Estados Unidos podem perder benefícios fiscais e acabar pagando mais tributos no Brasil com a tarifa adicional de 25% anunciada pelo governo norte-americano. A entrada em vigor vai ocorrer na próxima quarta-feira, 22. A perda de competitividade no mercado dos EUA pode impedir o cumprimento das exigências de regimes aduaneiros especiais, existente na legislação.

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Isso acarretaria na elevação de custos financeiros e obrigaria exportadores a reverem estratégias tributárias e comerciais, afirma o tributarista Carlos Augusto Daniel Neto, pós-doutor em Direito Tributário pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Segundo o especialista, em declarações a Oeste, a tarifa não altera diretamente a carga tributária brasileira, mas seus efeitos indiretos podem ser relevantes para empresas exportadoras.

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"Não há um impacto direto na carga tributária, pois a tarifa em questão é um tributo norte-americano, devido pelo importador nos EUA e, portanto, não integra a carga tributária brasileira", afirma o especialista. "O impacto que pode haver é indireto, sendo manifestado em pelo menos três formas."

Ele cita três efeitos principais da tarifa dos EUA. O primeiro é uma eventual resposta do Brasil com tarifas sobre produtos norte-americanos. O segundo decorre da perda do mercado externo, que pode elevar a carga tributária efetiva das empresas.

"A primeira é bastante clara, em razão da aplicação da tarifa recíproca no Brasil sobre os produtos norte-americanos, caso as empresas brasileiras os importem", observa Neto, que prossegue. "Em segundo lugar, é preciso lembrar que a exportação é desonerada no Brasil, ou seja, quando a empresa perde o mercado norte-americano e redireciona a produção para o mercado interno, ela troca receita imune por receita tributada, aumentando a alíquota efetiva sobre as atividades dela."

O terceiro efeito é aquele que envolve empresas brasileiras que utilizam regimes aduaneiros especiais para importar insumos com suspensão de tributos condicionada à exportação. É onde a tarifa, apesar de ser norte-americana, faz a fatura tributária, em boa parte, vencer no Brasil, conforme Neto afirma.

"A perda de competitividade do produto brasileiro no mercado norte-americano pode impactar o adimplemento de regimes aduaneiros especiais, que condicionam a suspensão dos tributos na importação ao cumprimento de compromissos de exportação - o que pode gerar a cobrança desses tributos."

Tarifa dos EUA e os insumos importados

Além da influência no comércio, uma eventual valorização do dólar tende a pressionar ainda mais os custos das empresas. "A variação cambial encarece tudo para o importador brasileiro: aumenta o custo de insumos importados (e, inclusive, os tributos aduaneiros sobre eles) e pode afetar, também, eventuais dívidas existentes em moeda estrangeira", destaca Neto.

Leia também: "Todos perdem com o tarifaço", reportagem de Raphaela Ribas publicada na Edição 330 da Revista Oeste

Ele acrescenta que isso pode ocorrer por exemplo, no caso de operações de importação com crédito dado pelo exportador, para pagamento posterior. O que para ele, fará o impacto ser prejudicial neste sentido. "Estamos falando de um risco evidente ao planejamento financeiro das empresas e aos custos projetados."

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