TCU afirma que pacientes esperam até 5 mil dias por atendimento com especialista em câncer ginecológico no DF
Pacientes da rede pública do Distrito Federal (DF) chegam a esperar 5 mil dias — quase 14 anos — por uma consulta com especialista em câncer ginecológico. O dado consta de uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU). A fiscalização também identificou 7.758 solicitações pendentes na ginecologia-geral. Nessa área, o tempo médio de espera pelo atendimento básico alcança 898 dias, o equival
Pacientes da rede pública do Distrito Federal (DF) chegam a esperar 5 mil dias — quase 14 anos — por uma consulta com especialista em câncer ginecológico. O dado consta de uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU).
A fiscalização também identificou 7.758 solicitações pendentes na ginecologia-geral. Nessa área, o tempo médio de espera pelo atendimento básico alcança 898 dias, o equivalente a quase dois anos e meio.
O trabalho concentra-se nas dificuldades enfrentadas pelas pacientes para obter o diagnóstico e o atendimento relacionados ao câncer do colo do útero.
A análise aponta entraves desde o acesso à consulta especializada até a realização dos exames necessários.
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Gargalo no diagnóstico, segundo o TCU
A colposcopia aparece como um dos principais gargalos da rede pública.
O exame permite avaliar alterações no colo do útero e é importante para investigar possíveis lesões causadas, entre outros fatores, pelo papilomavírus humano, o HPV.
Conforme os dados apresentados ao TCU, havia 1.768 solicitações pendentes para a realização do procedimento. A espera chegava a 588 dias — mais de um ano e meio.
As dificuldades atingem diferentes etapas do atendimento. Além das filas para consultas e exames, o TCU identificou demora na liberação de laudos e falta de estrutura disponível para o diagnóstico do câncer.
Acordo com o governo do DF
A proposta submetida ao tribunal autoriza a área técnica do TCU a iniciar tratativas com a Secretaria de Saúde do DF para a celebração de um “Compromisso Cidadão”.
O instrumento consiste em um acordo voluntário destinado a estabelecer metas, indicadores, prazos e responsabilidades para reduzir as filas.
O projeto-piloto deve abranger a Macrorregião de Saúde 3, formada por Planaltina, Arapoanga, Sobradinho I e II, Fercal, Paranoá, Itapoã e São Sebastião.
A iniciativa prevê a participação de usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) e de organizações da sociedade civil. Os resultados deverão ser avaliados antes de uma eventual ampliação do modelo para outras regiões.
A proposta não impõe punições nem significa que o compromisso já tenha sido firmado.
Ela autoriza o início das negociações e determina a comunicação da decisão à Secretaria de Saúde do DF e ao Ministério da Saúde.
Ministro cita demora nos exames
Ao pedir a palavra durante sessão nesta quarta-feira, 5, o ministro Augusto Nardes disse que a fiscalização decorre de uma auditoria operacional realizada em 2018, quando o processo estava sob a relatoria dele.
O trabalho anterior concluiu que o diagnóstico de câncer no Brasil ocorria tardiamente.
“Na mesma auditoria foram apontados gargalos em todas as etapas do itinerário do paciente, desde a dificuldade de acesso à consulta especializada até a demora na liberação de laudos e a insuficiência da rede de exames”, afirmou Nardes.
Nardes acompanhou integralmente o voto do atual relator, Jhonatan de Jesus. Segundo ele, a iniciativa tem potencial para produzir “benefícios concretos para milhares de mulheres”.
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