Ucrânia expande recrutamento de brasileiros para guerra contra a Rússia
A Ucrânia ampliou o recrutamento de estrangeiros para reforçar suas tropas no conflito contra a Rússia e intensificou a divulgação de campanhas direcionadas a brasileiros. A medida ocorre após mudanças nos contratos e nos salários oferecidos aos combatentes internacionais.
A Ucrânia intensificou o recrutamento de estrangeiros para reforçar suas tropas na guerra contra a Rússia e tem ampliado a divulgação de campanhas voltadas a brasileiros. A estratégia ganhou força depois de mudanças nos contratos e nos salários oferecidos aos combatentes internacionais.
Embora Kiev não divulgue o número de estrangeiros que atuam no conflito, diferentes indícios apontam para uma participação expressiva de brasileiros. Entre eles está a existência de uma companhia militar formada majoritariamente por falantes de português e comandada por brasileiros, além da produção frequente de material de recrutamento em português nas redes sociais.
Levantamentos não oficiais baseados em anúncios públicos de mortes e desaparecimentos colocam o Brasil entre os países com maior número de baixas de combatentes estrangeiros. Durante a apuração, o país aparecia na terceira posição, atrás apenas de Estados Unidos e Colômbia.
Dados do Ministério das Relações Exteriores indicam que 92 brasileiros estão desaparecidos e 35 morreram desde o início da guerra. Os números mais que dobraram em relação ao fim do ano passado.
Guerra prolongada amplia busca por combatentes estrangeiros
O aumento do recrutamento ocorre em meio às dificuldades enfrentadas pelas Forças Armadas ucranianas para repor efetivos. Estimativas apontam que entre 125 mil e 150 mil soldados ucranianos morreram desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022. Outros mais de 200 mil militares teriam desertado.
Três dias depois do início da guerra, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, convocou voluntários estrangeiros para integrar a defesa do país. Desde então, milhares de combatentes ingressaram na chamada Legião Internacional. Em 2026, autoridades ucranianas afirmaram que mais de 10 mil voluntários de cerca de 75 países já haviam lutado ao lado da Ucrânia.
A participação de brasileiros também levanta questionamentos jurídicos. O Brasil não aderiu à Convenção da ONU contra mercenários e não possui uma legislação específica sobre a atuação de cidadãos em conflitos armados no exterior.
Em nota, o Itamaraty reiterou que a assistência consular em áreas de guerra pode ser limitada por questões de segurança e voltou a recomendar que brasileiros evitem qualquer envolvimento com forças armadas estrangeiras.
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