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Voto em Roraima vale 85 vezes mais que em São Paulo

Caso as regras não mudem, os votos para congressistas no Brasil se converterão em dinheiro no caixa dos partidos para as eleições de 2030 — como aconteceu com o resultado de 2022. Mas o valor não é uniforme, varia de acordo com a quantidade de parlamentares de cada Estado. Literalmente, nesse caso, menos significa mais. Quanto menor a população, menos parlamentares e eleitores mais valiosos. R

Caso as regras não mudem, os votos para congressistas no Brasil se converterão em dinheiro no caixa dos partidos para as eleições de 2030 — como aconteceu com o resultado de 2022. Mas o valor não é uniforme, varia de acordo com a quantidade de parlamentares de cada Estado. Literalmente, nesse caso, menos significa mais. Quanto menor a população, menos parlamentares e eleitores mais valiosos.

Roraima é o Estado com o menor número de eleitores do Brasil. Sua bancada no Congresso tem o piso constitucional: 11 parlamentares, três no Senado e oito na Câmara. O voto em um senador roraimense vale cerca de R$ 34. Ao mesmo tempo, para o paulista é por volta de R$ 0,40. São Paulo tem 73 congressistas, 70 na Câmara e três no Senado.

Os valores são estimativas realizadas por Oeste com base nas regras para a divisão do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o Fundão, e o volume distribuído por meio dessa verba em 2026. Trata-se da principal fonte oficial de recursos para os partidos gastarem durante as eleições. Neste ano, foram praticamente R$ 5 bilhões — bancados pelo pagador de impostos.

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A legislação vigente determina que 2% do Fundão seja repartido integralmente entre todos os partidos. O restante é repartido segundo a bancada de cada legenda, mas por meio de três modalidades com critérios distintos. Apenas uma trata todos os votos com igual valor. Essa regra determina a distribuição segundo a quantidade de votos conquistada pela legenda na Câmara nas eleições anteriores para os partidos com parlamentares na Casa. Nas outras, a partilha ocorre conforme o tamanho da bancada: 15% pelo número de senadores, e 48% pelo de deputados federais.

No caso dos senadores, a quantidade de parlamentares é a mesma para cada Estado: 3. Por isso, o lugar com menos eleitores leva vantagem. É justamente o que acontece com Roraima, onde apenas 400 mil pessoas estão aptas a votar. Do outro lado, São Paulo tem o maior número (34 milhões) — 85 vezes mais, e o valor cresce na mesma proporção. Para a Câmara, a disparidade é menor porque a quantidade de parlamentares por Estado não é tão desproporcional.

Os Estados e o Distrito Federal têm o mesmo número de senadores — isso acontece porque todos têm igual relevância diante da União. Ainda assim, na prática, há muitas diferenças de um lugar para o outro. Entre elas, o tamanho da população, justamente o que os deputados federais representam. Entretanto, a Constituição de 1988 determina limites para a diferença ser expressa na Câmara: o teto de 70 parlamentares, e o piso de 8. Cada deputado de São Paulo corresponde a 500 mil eleitores, enquanto são 50 mil apenas em Roraima. O roraimense tem quase 10 vezes mais representação que o paulista, e essa distorção migrou para a distribuição do Fundão. Em 2026, são três votos no Congresso: um para deputado e dois para senadores. A votação de um eleitor no menor Estado do país pode gerar em torno de R$ 170 para o mesmo partido. A do maior, pouco mais de R$ 20.

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