Alfredo Gaspar é escolhido vice de Flávio Bolsonaro na chapa presidencial
O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) foi escolhido como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a disputa presidencial. Em poucos meses, o parlamentar de primeiro mandato, com atuação política concentrada em Alagoas, ganhou projeção nacional ao relatar a CPMI do INSS.
Em poucos meses, Alfredo Gaspar (PL-AL) deixou a condição de deputado de primeiro mandato, com atuação política concentrada principalmente em Alagoas, para ocupar um lugar na chapa que disputará a Presidência da República. Escolhido como vice de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o parlamentar chega à corrida eleitoral depois de ganhar projeção nacional como relator da CPMI do INSS.
A escolha também revela parte da estratégia eleitoral do PL. Sem conseguir formar uma aliança que fornecesse o nome para vice, o partido buscou em seus próprios quadros alguém com experiência administrativa, exposição nacional e capacidade de reforçar a campanha no Nordeste. Historicamente, a esquerda prevalece na região.
Antes da definição por Gaspar, outros nomes chegaram a ser considerados, incluindo a senadora Tereza Cristina (PP-MS), a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques (Republicanos) e a deputada Simone Marquetto (PP-SP). A opção pelo deputado alagoano ocorreu depois de uma série de articulações políticas em Brasília e Alagoas.
Da segurança pública à CPMI do INSS
Gaspar construiu a maior parte da carreira fora da política eleitoral. Foi promotor de Justiça, procurador-geral de Justiça de Alagoas e secretário estadual de Segurança Pública. Também presidiu grupos de combate às organizações criminosas antes de chegar à Câmara dos Deputados.
No Congresso, encontrou na CPMI do INSS a principal vitrine nacional de seu primeiro mandato. Como relator, comandou a investigação parlamentar sobre o esquema de descontos em benefícios de aposentados e pensionistas. A comissão realizou oitivas, analisou documentos e aprovou quebras de sigilo. Gaspar também apresentou requerimentos para rastrear o fluxo financeiro das entidades investigadas e chegou a pedir a prisão de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O requerimento foi rejeitado pela comissão.
No fim, Gaspar produziu um relatório de aproximadamente 5 mil páginas, no qual pediu o indiciamento de 228 pessoas. O documento descreveu uma estrutura que, segundo a investigação parlamentar, movimentou cerca de R$ 40 bilhões por meio de um esquema de lavagem de dinheiro e apontou possíveis conexões entre operadores financeiros, entidades associativas e organizações criminosas.
O parecer não foi aprovado pela CPMI. Gaspar e o presidente do colegiado, senador Carlos Viana (PSD-MG), decidiram então entregar o material diretamente ao Supremo Tribunal Federal.
Uma escolha que mexeu com Alagoas
A ida de Gaspar para a chapa presidencial teve consequências para além da disputa pelo Planalto. Antes de ser escolhido vice, o deputado estava lançado ao Senado por Alagoas. Pesquisa divulgada em 3 de julho mostrava Gaspar com 40,4% das intenções de voto, numericamente à frente do ex-presidente da Câmara Arthur Lira, com 39,8%, e do senador Renan Calheiros, com 36,4%.
Sua retirada da corrida alterou o tabuleiro alagoano. Conforme mostra a Edição 334 da Revista Oeste, Lira intensificou a pressão sobre a direção do PL para que o partido abrisse mão da candidatura de Gaspar ao Senado, movimento que deixaria a disputa mais favorável aos demais concorrentes.
Como Gaspar passou de promotor e secretário de Segurança Pública a candidato a vice-presidente? O que pesou na decisão de Flávio? E quem ganha espaço em Alagoas com sua saída da corrida pelo Senado?
A reportagem completa, com os bastidores da escolha e a trajetória do deputado, está na Edição 334 da Revista Oeste. Assine e tenha acesso à íntegra.
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