Anvisa autoriza importação de medicamento experimental para influenciador com doença rara
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou nesta sexta-feira, 4, a importação de um medicamento experimental para o tratamento do influenciador Lito Sousa, diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ).
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, nesta sexta-feira, 4, a importação de um medicamento experimental para o tratamento do influenciador Lito Sousa, diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ).
A substância, identificada como ALN-6457 e desenvolvida pela farmacêutica Regeneron Pharmaceuticals, ainda não possui registro comercial no Brasil nem representante legal no país. Por esse motivo, a Anvisa liberou a importação em caráter excepcional.
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O medicamento permanece em fase pré-clínica e ainda não passou por estudos formalmente iniciados em seres humanos para o tratamento de doenças priônicas. Lito Sousa será, portanto, a primeira pessoa a receber a substância.
O Hospital Israelita Albert Einstein, responsável pelo acompanhamento do paciente, apresentou o pedido de importação. A solicitação ocorreu depois de Lito ser aceito em um programa de uso compassivo do medicamento.
Família articulou pedido para trazer substância ao Brasil
Mila Seidl, mulher do influenciador, afirmou ter solicitado a inclusão de Lito no programa e participado das articulações para obter a autorização. Segundo ela, o processo envolveu o Ministério da Saúde, o hospital, a Anvisa e a agência reguladora dos Estados Unidos, a FDA.
Em publicação nas redes sociais, Mila afirmou que o tratamento poderá chegar ao Brasil em um prazo estimado entre sete e nove dias.
O uso compassivo permite que pacientes sem alternativas terapêuticas disponíveis tenham acesso a substâncias experimentais antes da conclusão dos estudos clínicos necessários para comprovar segurança e eficácia em larga escala.
Segundo a Anvisa, a autorização considerou a evolução rápida e irreversível da doença. A ausência de um patrocinador ou representante responsável pelo medicamento no Brasil também levou à adoção do procedimento excepcional.
Ainda não há informações sobre como ocorrerá o tratamento.
Doença é rara e não tem cura
A doença de Creutzfeldt-Jakob é uma enfermidade priônica. Ela ocorre em razão da alteração anormal de uma proteína chamada príon, que se multiplica no cérebro e provoca a destruição de neurônios.
A doença é rara, progressiva e não conta, até o momento, com tratamento capaz de interromper ou reverter sua evolução.
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Segundo dados do Ministério da Saúde, a faixa etária entre 55 e 74 anos concentrou 60,2% das notificações no Brasil. A idade média entre os casos suspeitos foi de 66 anos. A forma esporádica da doença costuma atingir pessoas entre 60 e 80 anos.
A literatura utilizada pelo Ministério da Saúde indica que cerca de 90% dos pacientes morrem entre seis meses e um ano depois do início dos sintomas. A sobrevida média é de cinco meses.
Entre 2005 e 2021, o Brasil registrou 547 casos confirmados da doença de Creutzfeldt-Jakob, segundo levantamento do Ministério da Saúde. No período, houve 290 registros de morte relacionados à enfermidade.
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