Canto proibido pelo comunismo é apresentado em Curitiba
Giedrius Gapsys, 62 anos, faz apresentações de canto gregoriano em Curitiba neste fim de semana. Embora dedicar-se a essa arte seja algo cotidiano em sua vida, conhecê-la poderia ter lhe custado a liberdade. Ele nasceu na Lituânia em 1964, quando seu país ainda fazia parte da União Soviética, sob uma ditadura comunista. + Leia mais notícias de Brasil em Oeste O artista conheceu o estilo em 1
Giedrius Gapsys, 62 anos, faz apresentações de canto gregoriano em Curitiba neste fim de semana. Embora dedicar-se a essa arte seja algo cotidiano em sua vida, conhecê-la poderia ter lhe custado a liberdade. Ele nasceu na Lituânia em 1964, quando seu país ainda fazia parte da União Soviética, sob uma ditadura comunista.
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O artista conheceu o estilo em 1982 por meio de um padre. O canto gregoriano é de origem católica, fé professada pela família do cantor e combatida na Lituânia, na época do comunismo. “Qualquer coisa relacionada à música sacra era oficialmente proibida e de muito difícil acesso”, lembra.
A restrição à religião ocorreu em todo o leste europeu sob domínio soviético. Mas o estilo sacro tocou Gapsys de forma transformadora. “Senti naquele canto uma incrível força espiritual”, comenta ao se referir a esse momento como uma descoberta.
Em sua terra natal, o artista se formou em piano e história da música. Para se aprimorar, seguiu para a França, para estudar no Conservatório Nacional Superior de Música e Dança de Paris. Depois, concluiu o doutorado em 2011 na Sorbonne, mergulhado em estudos sobre o canto gregoriano.
Nessa fase, o cantor lituano entrou em contato com os primeiros textos produzidos sobre canto gregoriano, escritos por volta do século 9. O acervo da Biblioteca Nacional da França, em Paris, está repleto de manuscritos de diferentes períodos da Idade Média. Em Curitiba, Gapsys deve compartilhar todo seu conhecimento sobre música sacra por meio de três apresentações ao lado do padre Pedro Gubitoso e do maestro curitibano Francisco Wildt, que começaram na sexta-feira, 14, e terminam no domingo, 16. Elas fazem parte do Encontro de Canto Gregoriano e Polifonia Sacra, evento que também conta com oficinas, no qual figura como professor e curador.
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