Comissão da Câmara repudia fim das eleições na Nicarágua e critica Lula
Nesta quarta-feira, 22, a Comissão de Relações Exteriores (Credn) da Câmara repudiou a decisão do ditador Daniel Ortega de acabar com as eleições na Nicarágua. Em nota oficial, a Credn afirmou que a ordem reforça o caráter totalitário do regime e amplia as restrições à democracia no país. “A decisão, até o presente momento não condenada pelo governo brasileiro, reafirma a postura de um regi
Nesta quarta-feira, 22, a Comissão de Relações Exteriores (Credn) da Câmara repudiou a decisão do ditador Daniel Ortega de acabar com as eleições na Nicarágua.
Em nota oficial, a Credn afirmou que a ordem reforça o caráter totalitário do regime e amplia as restrições à democracia no país.
“A decisão, até o presente momento não condenada pelo governo brasileiro, reafirma a postura de um regime de esquerda ditatorial e absolutamente intolerante à pluralidade política e aos valores democráticos”, disse a Credn.
O presidente da comissão, deputado Luiz Philippe de Orléans e Bragança (PL-SP), também destacou os vínculos históricos de Ortega com a esquerda latino-americana.
O documento lembra que o ex-guerrilheiro comunista contou com o apoio do Foro de São Paulo e governou a Nicarágua entre 1985 e 1990.
Comissão critica silêncio do governo Lula em relação a Ortega
A Credn também lembrou que Ortega intensificou a repressão contra adversários políticos desde que reassumiu a Presidência em 2007.
De acordo com o colegiado, a consolidação do regime ocorreu com a nomeação da própria mulher de Ortega, Rosario Murillo, como vice-presidente.
A comissão também sustenta que o avanço para um sistema de partido único ganhou força nas eleições de 2021, que classifica como fraudulentas.
Entre os episódios citados estão a perseguição e a prisão de candidatos de oposição, o fechamento de centenas de organizações civis e a retirada da nacionalidade de dezenas de opositores.
Na avaliação da Credn, essas medidas contaram com a conivência de aliados regionais de Ortega. O documento cita, entre eles, os governos de Brasil, Cuba e Venezuela.
Ao cobrar uma reação de Lula, o presidente da Credn comparou a falta de condenação do Brasil ao discurso do petista em defesa da democracia.
Para o deputado, o país não deve permanecer em silêncio diante da retirada do direito dos nicaraguenses de escolher seus representantes.
“Esta presidência espera que o governo brasileiro, tão cioso na defesa da democracia, não macule a imagem e as tradições do Brasil", disse Bragança. "Silenciando por conveniência diante de um ataque covarde contra o direito do povo de eleger seus governantes.”
Por fim, a Credn classificou a medida de Ortega como “deplorável e inaceitável”.
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