Comissão Europeia defende seguro climático e plano contra ondas de calor
Após um verão classificado como histórico, a Comissão Europeia defende medidas para mitigar os impactos do calor e ampliar a cobertura de eventos extremos.
A sucessão de ondas de calor e de incêndios florestais neste verão deve forçar mudanças na forma como a União Europeia responde a eventos climáticos extremos. Em discurso no Parlamento Europeu, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu novas medidas para mitigar os impactos do calor extremo, cada vez mais frequente nos verões europeus, e ampliar a cobertura de seguros para eventos climáticos extremos.
“Este verão foi o verão da verdade. Quase nenhuma parte do nosso continente foi poupada. Houve incêndios desde as montanhas da Irlanda até as ilhas da Grécia e da Croácia. Nos Alpes, os glaciares continuam a recuar todos os dias. O impacto de tudo isso é absolutamente devastador: 660 mil hectares reduzidos a cinzas. Cerca de 12 milhões de toneladas de safra perdida. Rios caudalosos como Danúbio, Reno ou Garona, em vias de desaparecer diante dos nossos olhos”, destacou von der Leyen em seu discurso sobre o estado da UE.
A chefe da Comissão Europeia prometeu apresentar em breve um plano para a prevenção de ondas de calor, com foco em melhorias nos sistemas de alerta precoce e na preparação dos sistemas de saúde pública. Para facilitar o combate a incêndios, a principal proposta é a criação de uma frota europeia de aviões-tanque capazes de operar em todos os 27 países do bloco. “O que aconteceu neste verão não pode voltar a acontecer”, pontuou.
Para a adaptação climática, von der Leyen afirmou que pretende ampliar os investimentos em resiliência, incluindo um planejamento mais adequado para evitar a construção de casas em áreas expostas a inundações e o projeto de cidades que ajudem as pessoas a se manterem frescas durante as ondas de calor. Entre as propostas prometidas, está a definição de uma estratégia de resiliência climática voltada para a gestão de riscos climáticos em 100 territórios europeus considerados mais vulneráveis.
Outra sinalização importante é a proposta de criação de uma “Aliança de Seguros Contra as Mudanças Climáticas”, com o objetivo de ampliar a cobertura de eventos extremos no mercado europeu. “Atualmente, só cerca de 25% das perdas catastróficas ocorridas na Europa estão cobertas por seguros privados. Isto significa que, muitas vezes, os orçamentos nacionais são chamados a funcionar como seguradora de último recurso. Precisamos adotar medidas para preencher esta lacuna”, disse von der Leyen.
“Estes foram os meses de verão mais quentes da história — mas, muito provavelmente, os mais frescos dos próximos anos. A ciência mostra de forma clara: a Europa está aquecendo ao dobro do ritmo global. É evidente que a transição é complexa. Teremos de nos adaptar e aprender ao longo de todo o processo. Mas não tenhamos dúvidas: a Europa pode, deve e irá manter o rumo traçado pelos seus objetivos climáticos”, disse a presidente da Comissão Europeia.
Apesar das promessas, a realidade da crise climática se choca com retrocessos recentes da própria União Europeia em seus compromissos nessa área. Em julho, a Comissão Europeia apresentou uma proposta de reforma do Sistema de Comércio de Emissões (ETS) que flexibiliza as regras de funcionamento do mercado de permissões de emissão a partir de 2030, reduzindo o ritmo dos cortes. O bloco também deu sinal verde para o enfraquecimento das regras de sustentabilidade empresarial e para a liberação da venda de carros com motores a combustão após 2035.
As promessas climáticas de von der Leyen para a UE foram destacadas por CNN Brasil, Folha, Forbes e Valor, além de AFP, AP, Euronews, POLITICO e Reuters.
Este conteúdo é originalmente de climainfo.org. Para a reportagem completa, acesse:
https://climainfo.org.br/2026/09/17/ue-quer-programa-para-seguro-climatico-e-plano-de-combate-a-ondas-de-calor/
Fonte: climainfo.org · Por Ian Mello
