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Como a relação entre Moraes e Vorcaro aprofundou a crise no STF

Na manhã da última terça-feira, 1º, um relatório da Polícia Federal (PF) com 218 páginas começou a circular fora dos gabinetes de Brasília. O documento fora produzido a partir do celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Havia mensagens, registros de chamadas e contratos. Alexandre de Moraes aparecia repetidamente no material. O ministro André Mendonça, relator das investigações sob

Na manhã da última terça-feira, 1º, um relatório da Polícia Federal (PF) com 218 páginas começou a circular fora dos gabinetes de Brasília. O documento fora produzido a partir do celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Havia mensagens, registros de chamadas e contratos. Alexandre de Moraes aparecia repetidamente no material.

O ministro André Mendonça, relator das investigações sobre o Master no Supremo Tribunal Federal (STF), havia retirado o sigilo dos documentos. A crise, até então contida nos bastidores da Corte, tornou-se pública.

Um dos arquivos analisados pela PF era o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. O acordo previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões durante três anos. Se cumprido integralmente, alcançaria R$ 131,2 milhões.

Os metadados mostraram uma edição feita por um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” antes da assinatura. O escritório confirmou que Moraes acessou e modificou o documento.

O escritório de Viviane alegou que o setor de compliance procurou o ministro para saber se havia algum impedimento legal à contratação. Disse também que Moraes nunca julgou causas relacionadas ao Banco Master e que os serviços previstos no acordo foram prestados. O contrato era apenas uma parte do que havia no aparelho.

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Os pedidos de ajuda de Vorcaro

Vorcaro procurava Moraes para relatar problemas enfrentados pelo banco. Numa das mensagens, mencionou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Queria evitar medidas que prejudicassem o Master. Também agradecia. Em uma conversa, afirmou ter uma “dívida de vida” com o ministro.

Os contatos continuaram às vésperas da primeira prisão do banqueiro. Em 14 de novembro de 2025, Vorcaro encontrou Moraes na residência do magistrado. No dia seguinte, pediu outra conversa. Queria saber se deveria deixar o país já na segunda-feira 17. Na ocasião, quando se preparava para embarcar num avião particular com destino a Malta, acabou preso pela PF.

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Parte das conversas havia sido configurada para desaparecer depois de 24 horas. Vorcaro também enviava imagens de visualização única. Mesmo assim, os investigadores conseguiram recuperar rastros digitais.

O banqueiro escrevia as mensagens no aplicativo de notas do celular, fazia uma captura da tela e abria o WhatsApp segundos depois. O sistema do aparelho guardava arquivos temporários. A repetição desse procedimento permitiu à PF relacionar 52 notas ao número atribuído a Moraes — cinco preservadas na conversa e outras 47 recuperadas.

As respostas do interlocutor, contudo, não aparecem em todos os diálogos. Esse limite impede a reconstrução completa de parte das conversas.

A reação de Moraes

Mendonça pediu que o plenário do STF decidisse o que fazer com as informações referentes ao colega. Moraes respondeu com um pedido de investigação contra o próprio relator.

Na quinta-feira 3, Moraes acusou Mendonça de possíveis atos de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade na condução das apurações sobre o Master e as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social.

Para sustentar a iniciativa, Moraes usou relatórios de Inteligência da PF que atribuíam objetivos políticos a Mendonça. Os próprios documentos registravam que não tinham valor probatório e classificavam parte das conclusões como de confiabilidade baixa ou moderada.

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Moraes enviou o material ao presidente do Supremo, Edson Fachin, dentro do Inquérito 4.781, o Inquérito das Fake News. Fachin não manteve o pedido ali.

O presidente do STF mandou retirar os documentos do inquérito e transferi-los para a Petição 16.704, sob sua própria relatoria. Primeiro, a Procuradoria-Geral da República terá cinco dias úteis para se manifestar. Mendonça será ouvido depois, pelo mesmo prazo.

Nesse intervalo, ministros se dividiram. Uma ala passou a cobrar explicações de Moraes. Outra concentrou as críticas na forma como Mendonça conduziu a apuração e tornou os documentos públicos.

A reportagem de capa da Edição 338 da Revista Oeste reconstitui os encontros, os contratos e os pedidos encontrados no celular do ex-banqueiro. Mostra também a movimentação de ministros, da cúpula da PF e da PGR depois da divulgação do relatório.

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Capa da Revista Oeste, Edição 327. Ministro André Mendonça em sessão plenária no STF | Foto: Victor Piemonte/STF

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