Copersucar pede mudanças em programa de crédito do governo
A Copersucar, maior trading de açúcar e etanol do mundo, solicitou ao governo federal alterações nas regras do programa Brasil Soberano. A empresa alega que os critérios atuais bloqueiam o acesso de usinas fornecedoras às linhas de crédito voltadas para exportadores prejudicados pelas tarifas dos Estados Unidos e pela guerra no Oriente Médio.
A Copersucar, maior trading de açúcar e etanol do mundo, pediu ao governo federal mudanças nas regras do programa Brasil Soberano. A empresa argumenta que os critérios atuais impedem que usinas fornecedoras tenham acesso às linhas de crédito destinadas a exportadores afetados pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos e pelos impactos da guerra no Oriente Médio.
Representantes da companhia apresentaram o pleito ao Ministério da Fazenda e participaram, na semana passada, de uma reunião com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.
Segundo a empresa, o modelo de comercialização utilizado faz com que as usinas não possuam a Declaração Única de Exportação (DU-E), documento exigido para solicitar o financiamento.
Governo analisa pedido
No modelo da Copersucar, as usinas vendem açúcar e etanol para cooperativas agrícolas, que repassam a produção à trading. A exportação é realizada pela própria Copersucar, o que impede as fornecedoras de atender ao requisito previsto pelo programa.
A companhia defende que as regras sejam adaptadas para contemplar esse formato de operação, já que o Brasil Soberano também prevê apoio a fornecedores de empresas exportadoras.
Em nota, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que encaminhou a demanda à Receita Federal para análise e afirmou não ter recebido pedidos semelhantes. Procurada, a Copersucar preferiu não comentar.
Na safra 2025/2026, a empresa registrou receita de R$ 65,8 bilhões e lucro líquido de R$ 631 milhões. No período, comercializou 17 milhões de toneladas de açúcar e 21 bilhões de litros de etanol no Brasil e nos Estados Unidos.
O governo lançou o Brasil Soberano em 2025, com R$ 30 bilhões em crédito para empresas atingidas pelo aumento das tarifas norte-americanas. Em abril deste ano, ampliou o programa com R$ 21 bilhões para exportadores afetados pelos impactos da guerra no Irã e pelo fechamento do Estreito de Ormuz.
Neste mês, o governo anunciou uma terceira etapa do programa, com R$ 18,5 bilhões em novas linhas de crédito para empresas prejudicadas pelas tarifas dos Estados Unidos, pela guerra no Oriente Médio e por setores considerados estratégicos para a balança comercial. As regras de acesso dessa fase ainda serão definidas.
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