Desembargador suspeito de vender sentenças comprou bens com dinheiro vivo
O desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, investigado por suposta participação em esquema de venda de sentenças, adquiriu terrenos, imóveis e carros de luxo com pagamentos em espécie, considerados pela Polícia Federal como provenientes de desvios funcionais.
O desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul Alexandre Aguiar Bastos, suspeito de ligação com um esquema de venda de sentenças, comprou terrenos, imóveis e carros de luxo com dinheiro em espécie, em movimentações que a Polícia Federal classifica como provenientes de desvios funcionais.
A defesa afirma, perante o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que os recursos tinham origem na conta bancária do escritório de advocacia do qual o magistrado fazia parte.
Para a PF, mensagens encontradas no celular do desembargador mostram o uso frequente de dinheiro vivo para quitar despesas pessoais. Em um dos diálogos, um interlocutor pergunta: "É dindin em espécie?". Alexandre responde que o valor estava disponível e, mais tarde, detalha: "Te dei dois pacotes com 50 notas de 200... portanto, tem R$ 20 mil aí".
O interlocutor confirma a quantia, enquanto o magistrado comenta: "Não tô acostumado com essa nota de 200".
Desembargador é investigado pela PF desde 2025
Alexandre é investigado na Operação Ultima Ratio, deflagrada em outubro do ano passado, e responde a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) aberto pelo CNJ. Segundo a investigação, ele teria alterado o voto em um processo envolvendo a venda de uma fazenda de R$ 4 milhões depois de retirar o caso de pauta por duas vezes.
A investigação também aponta que o desembargador utilizava dinheiro em espécie na compra de bens de alto valor. Entre 2022 e 2024, segundo a Polícia Federal, ele movimentou ao menos R$ 276 mil em dinheiro vivo, dos quais R$ 219 mil têm origem desconhecida.
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A defesa sustenta que os valores vieram do antigo escritório de advocacia. Já a Polícia Federal afirma que os saques foram fracionados para evitar alertas do Coaf e vê indícios de lavagem de dinheiro e recebimento de vantagem indevida.
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