Ditadura cubana faz festa enquanto povo não tem energia
Na quinta-feira, 13 de agosto, 1,5 mil pessoas de todo o mundo lotaram o teatro Karl Marx, em Havana, Cuba, para comemorar os 100 anos de nascimento do ditador Fidel Castro. Enquanto os dirigentes do Partido Comunista Cubano, reunidos no palco, celebravam as transformações causadas pelo homenageado no país, a população enfrentava as consequências delas do lado de fora, como a constante falta de
Na quinta-feira, 13 de agosto, 1,5 mil pessoas de todo o mundo lotaram o teatro Karl Marx, em Havana, Cuba, para comemorar os 100 anos de nascimento do ditador Fidel Castro. Enquanto os dirigentes do Partido Comunista Cubano, reunidos no palco, celebravam as transformações causadas pelo homenageado no país, a população enfrentava as consequências delas do lado de fora, como a constante falta de energia elétrica.
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Na mesma data da celebração, o boletim da Union Electrica, a companhia estatal responsável pelo abastecimento de eletricidade no país, informava que seria capaz de atender cerca de um terço da demanda nacional no horário de pico. O aviso está em uma postagem em seu perfil no Facebook, seguido de comentários feitos por cubanos insatisfeitos. A população enfrenta rotineiramente dias com mais de 20 horas sem energia.
“A tortura continua para o povo”, escreveu um deles. “É a revolução do blackout”, completou Angel Cuencas.
Na fotografia postada pela estatal em homenagem ao ditador, uma mãe desabafa. “Vocês acham justo ter apenas 2 horas de energia elétrica por dia?”, questiona Guilaerta Navarro. “Ver a comida apodrecer? Não conseguir dormir uma única noite inteira com energia elétrica durante meses? Ver seu bebê cheio de marcas, picadas, crostas e arranhões causados pelas picadas de mosquitos? Ver seu bebê sem conseguir dormir por causa do calor, vê-lo chorar e acordar mil vezes durante a noite?”
Fidel morreu há praticamente 10 anos, em 25 de novembro de 2016. Mas Cuba continua sob uma ditadura comunista, e o culto ao seu fundador é um dos pilares do regime. Ele tomou o poder aos 32 anos, em 1959, e se manteve no comando por quase 50 anos. Em 2008, foi substituído pelo irmão Raúl Castro, que conduziu o regime até 2018. Filhos de um rico fazendeiro, os dois entraram em contato com o marxismo quando ainda eram estudantes secundaristas.
Em 1955, a dupla conheceu o argentino Ernesto “Che” Guevara de la Serna, com quem formou o grupo guerrilheiro que se apossou do país. Guevara se tornou peça central no novo regime. Inicialmente, como executor da política ditatorial do partido. Depois de sua morte, em 1967, sua imagem passou a ser usada como peça de propaganda do governo, assim como acontece hoje com Fidel.
Passados 67 anos de governo, Cuba se tornou um país de economia débil. Além da falta de energia, o país precisa importar produtos eletrônicos, industriais e alimentos. As ruas da capital, Havana, são frequentemente retratadas com imóveis em péssimo estado de conservação. A economia está em recessão e deve encolher 6,5% neste ano, segundo a Organização das Nações Unidas.
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