Estudo aponta derretimento sem precedentes do permafrost
Dados de estações de monitoramento no Ártico, na Antártica e em áreas montanhosas mostram degradação generalizada da camada de solo congelado.
A aceleração do degelo do permafrost, camada de solo congelado característica das regiões polares e de áreas montanhosas, é um dos efeitos mais claros das mudanças climáticas, causadas principalmente pela queima de combustíveis fósseis, e um novo estudo revela a dimensão do problema. De acordo com a análise, a degradação do permafrost é generalizada em todo o mundo, com perdas substanciais de solo congelado nas últimas duas décadas.
O estudo foi liderado por pesquisadores da Universidade George Washington e publicado na revista Nature Communications Earth & Environment. Os autores analisaram dados de 156 locais de monitoramento no Ártico, na Antártica e em regiões de alta montanha entre 2000 e 2024.
A principal constatação é que houve um aumento na espessura da camada ativa – cobertura mais superficial acima do permafrost, que descongela e congela novamente a cada ano. À medida que a camada ativa se torna mais espessa ao longo do tempo, indica que o gelo em camadas mais profundas do solo está derretendo.
Segundo a análise, a camada ativa aumentou em 55% em locais do Ártico e em 38% na Antártica. Nas montanhas da Europa, Ásia e América do Sul, mais de 90% dos locais de monitoramento apresentaram aprofundamento significativo, sendo que, em alguns pontos, a camada ativa dobrou de espessura no período analisado. Nos Alpes suíços, por exemplo, um local na montanha Schilthorn registrou uma camada ativa superior a 1,3 metro em 2022 – a mais alta já registrada.
O aumento das temperaturas é o principal fator por trás da degradação do permafrost, especialmente no Ártico. Mas o calor não é o único elemento contribuinte: o aumento das chuvas também impulsionou o degelo. Enquanto o ar quente derrete o gelo por cima, a chuva transporta calor para o solo, ajudando a descongelá-lo por dentro.
Os pesquisadores identificaram variações regionais significativas. Localidades com camadas orgânicas espessas e alto teor de gelo no solo apresentaram mudanças menores, com esses elementos atuando como amortecedores naturais contra o aquecimento. Já locais com afloramentos rochosos com baixo teor de gelo, especialmente nas montanhas, sofreram as mudanças mais drásticas.
Ao mesmo tempo, zonas de permafrost contínuo, que cobrem mais de 90% da paisagem, descongelaram mais lentamente do que o permafrost descontínuo, onde o solo congelado é mais irregular e está mais próximo da temperatura em que descongela.
“Um dos indicadores mais importantes da mudança climática na Terra é o permafrost, pois ele reage diretamente ao aumento das temperaturas”, afirmou Dmitry Streletskiy, autor principal do estudo, citado pelo Environment Journal. “[Os dados] mostram um padrão que abrange continentes e zonas climáticas, indicando que a degradação global do permafrost já está em pleno andamento.”
Os principais pontos do estudo também foram destacados por Earth e GeoConversation.
Este conteúdo é originalmente de climainfo.org. Para a reportagem completa, acesse:
https://climainfo.org.br/2026/08/31/permafrost-esta-derretendo-em-escala-sem-precedentes-mostra-estudo/
Fonte: climainfo.org · Por Ian Mello
