Ex-chanceler defende alinhamento do Brasil ao 'mundo livre' nas próximas eleições
O ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo afirmou nesta segunda-feira que a próxima eleição presidencial brasileira terá impacto internacional. Segundo ele, a fronteira entre política externa e interna foi superada, e o país poderá se alinhar ao 'mundo livre' ou a um 'bloco totalitário' dependendo do resultado.
O ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo afirmou, nesta segunda-feira, 27, que a próxima eleição presidencial brasileira não ficará restrita ao cenário nacional. "Conforme venho apontando, a barreira entre política externa e política interna caiu", escreveu o ex-ministro em publicação no X. "O processo político se internacionalizou."
O ex-chanceler sustentou que o Brasil poderá se alinhar ao "mundo livre" ou ao que classificou como "bloco totalitário", conforme o resultado da eleição. Em seguida, associou Flávio Bolsonaro ao primeiro grupo e Lula ao segundo.
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Como exemplos de que o processo político ganhou dimensão internacional, Araújo citou o discurso do presidente da Argentina, Javier Milei, na convenção nacional do PL no último sábado, 25, e os recentes atritos entre os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Na avaliação do ex-chanceler, a disputa eleitoral brasileira despertará grande interesse internacional em razão do peso geopolítico do país. "Queira-se ou não, a eleição brasileira será travada diante do mundo, dentro de uma disputa de poder mundial, e não atrás de um tapume."
Ele também atribuiu à articulação internacional do senador um dos principais ativos de sua pré-candidatura. "O fato de que Flávio Bolsonaro tenha sabido articular-se com Trump, Milei e outras lideranças, de que tenha por assim dizer internacionalizado sua candidatura, colocando-se como candidato do mundo livre, é a principal força de seu nome nesta disputa eleitoral", declarou.
Apoio de Milei a Flávio e tensão de Lula com os EUA
As declarações de Araújo ocorrem em um momento de intensificação das tensões entre Brasil e Estados Unidos.
O governo norte-americano anunciou uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, direcionada a países investigados, segundo Washington, por não combaterem de forma efetiva a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. A cobrança foi aplicada com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA e se soma à tarifa de 25% já imposta ao Brasil.
Ao anunciar a medida, o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que a iniciativa busca corrigir "o que é, ao mesmo tempo, um abuso de direitos humanos e uma prática comercial que distorce o mercado".
Já no sábado, 25, durante o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, em São Paulo, o presidente argentino Javier Milei manifestou apoio ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. "Confio plenamente em meu amigo Flávio Bolsonaro", declarou. "Creio que somente Flávio pode parar Lula e trazer mudança."
O presidente argentino também afirmou que uma eventual reeleição de Lula levaria o Brasil a enfrentar dificuldades semelhantes às vividas pela Argentina antes de seu governo. "Aqui, no Brasil, hoje vocês têm o 'risco Lula'", disse.
Milei ainda criticou o Foro de São Paulo, organização fundada por Lula e pelo ex-ditador cubano Fidel Castro, a qual chamou de "rede transnacional do socialismo".
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