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Inflação e juros apertam orçamento das famílias

A inflação acima do esperado e os juros elevados reduziram o espaço disponível no orçamento das famílias brasileiras. Em maio, sobraram, em média, R$ 21,70 de cada R$ 100 recebidos depois do pagamento de despesas essenciais e dívidas, segundo levantamento da consultoria Tendências. O resultado está entre os menores da série histórica, iniciada em 2011. Em janeiro e fevereiro deste ano, a renda

A inflação acima do esperado e os juros elevados reduziram o espaço disponível no orçamento das famílias brasileiras. Em maio, sobraram, em média, R$ 21,70 de cada R$ 100 recebidos depois do pagamento de despesas essenciais e dívidas, segundo levantamento da consultoria Tendências.

O resultado está entre os menores da série histórica, iniciada em 2011. Em janeiro e fevereiro deste ano, a renda disponível chegou ao menor nível registrado, de 21%.

+ Leia também: "Mercado reduz estimativa de inflação pela 6ª semana, mas vê PIB menor em 2026 e 2027"

Sem considerar empréstimos e financiamentos, a parcela disponível para outros gastos foi de 41,64% em maio. O cálculo considera despesas com alimentação, transporte, aluguel e medicamentos.

Supermercado pesa no orçamento

A alimentação também pressiona a renda. Pesquisa da empresa de ciência de dados Dunnhumby, com 10 mil pessoas, mostrou que o brasileiro gasta, em média, R$ 1.073,98 por mês em supermercados.

A inflação de alimentos e bebidas supera o índice geral. Em julho, o IPCA-15 acumulava alta de 3,51% no ano, enquanto o grupo de alimentos e bebidas registrava avanço de 4,37%.

O cálculo considera despesas com alimentação, transporte, aluguel e medicamentos | Pillar Pedreira/Agência Senado

A Selic está em 14% ao ano, aumentando o custo do crédito e o peso das dívidas. Na capital paulista, 74,1% dos lares estão endividados.

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) caiu pelo quarto mês consecutivo em julho, segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

Inadimplência chega a 83,7 milhões

O número de brasileiros inadimplentes alcançou 83,7 milhões em junho, segundo a Serasa, maior patamar registrado pelo levantamento. As dívidas em atraso somavam R$ 579 bilhões.

Bancos e cartões de crédito concentravam 27,3% das dívidas, enquanto contas básicas, como água e luz, respondiam por 21,3%.

As projeções para a inflação também pioraram. Em janeiro, a pesquisa Focus estimava alta de 4,31% para o IPCA. Na edição mais recente, a previsão chegou a 5,03%.

Endividamento entra na eleição

A situação financeira das famílias passou a integrar o debate eleitoral. O governo prorrogou por mais um mês o novo Desenrola, programa de renegociação de dívidas.

O Ministério da Fazenda registrava 3,6 milhões de operações no programa.

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A melhora aparece principalmente entre as famílias com renda de até R$ 2,1 mil. Dados do FGV Ibre mostram que o índice de situação financeira desse grupo subiu 13,1 pontos desde dezembro e chegou a 91,5 pontos.

Nas demais faixas de renda, o indicador permaneceu entre 60 e 70 pontos.

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