Líder da indústria do plástico critica falta de negociação em tarifaço
O Brasil pode agravar sua situação comercial se retaliar os Estados Unidos após o tarifaço de 25% sobre produtos nacionais, afirmou o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), que criticou a falta de empenho do governo brasileiro nas negociações.
O Brasil pode piorar ainda mais a sua situação comercial se decidir retaliar os Estados Unidos depois do tarifaço de 25% sobre produtos nacionais. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), José Ricardo Roriz Coelho, que criticou a falta de capacidade de negociação do governo brasileiro.
Segundo o líder da Abiplast, o Palácio do Planalto não se empenhou como deveria nas conversas com representantes do governo norte-americano e não adotou a melhor estratégia para evitar as tarifas.
"É complicado falar em reciprocidade agora. Quem perderia mais ainda seríamos nós", disse Roriz Coelho em entrevista à CNN Brasil. Segundo ele, grande parte dos produtos importados dos EUA são itens que o Brasil não tem condições de produzir internamente de forma competitiva.
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Para o presidente da Abiplast, o debate em torno das tarifas comerciais impostas pela Casa Branca vem sendo contaminado pela politização do país, principalmente em um ano eleitoral. Segundo Roriz Coelho, a reciprocidade deve ser um instrumento de negociação, e não um ato emocional.
"Faltou estratégia, faltou a capacidade de antecipação de problemas, faltou foco, faltou vontade de negociar", criticou o presidente da Abiplast.
Socorro às empresas
Na entrevista, José Ricardo Roriz Coelho também falou sobre o programa Brasil Soberano, anunciado pelo governo federal para socorrer as empresas atingidas pelo tarifaço dos EUA.
Segundo o presidente da Abiplast, a iniciativa é bem-intencionada, mas as pequenas e médias empresas esbarram na burocracia.
"Uma empresa não pode ficar três ou quatro meses tendo de recorrer ao mercado financeiro com essas taxas de juros para manter o seu pessoal trabalhando", afirmou Roriz Coelho.
Em vez da criação de novos programas, segundo o chefe da Abiplast, o governo brasileiro deveria retomar as negociações com os EUA e tentar reverter ou diminuir as tarifas.
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"O objetivo agora é sentar com os norte-americanos e ver se a gente consegue aumentar essa lista de exceções que foi anunciada", defendeu.
O novo 'tarifaço'
A decisão do governo dos EUA de impor uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros veio à tona na quarta-feira 15, depois de anúncio do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR).
Por determinação do presidente dos EUA, Donald Trump, a medida começa a valer na próxima quarta-feira, 22. A tarifa atinge setores como etanol, açúcar orgânico, máquinas agrícolas, papel e vestuário. Ao divulgar a medida, o órgão também publicou uma lista de produtos isentos da cobrança adicional, entre os quais carne bovina, café, petróleo e laranjas, itens de grande relevância para a pauta exportadora brasileira.
A sobretaxa decorre da investigação conduzida pelo USTR com base na Seção 301, da Lei de Comércio, de 1974. O processo começou em julho do ano passado, quando Trump anunciou uma ofensiva comercial contra o Brasil.
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