Lula critica tarifaço dos EUA como injusto e erro estratégico
O presidente Lula publicou um artigo neste domingo, 26, criticando o 'tarifaço' dos Estados Unidos, que classificou como 'injusto' e um 'erro estratégico'. Nas últimas duas semanas, o governo do presidente Donald Trump impôs duas sobretaxas sobre produtos brasileiros.
O presidente Lula publicou, neste domingo, 26, um artigo no jornal norte-americano The Washington Post em que critica o "tarifaço" dos Estados Unidos, o qual classifica como "injusto" e um "erro estratégico". Nas últimas duas semanas, o governo do presidente Donald Trump impôs duas sobretaxas sobre produtos brasileiros.
No texto, o petista defende a retomada de um "diálogo aberto e construtivo" entre os dois países e reafirma que o Brasil decidirá seu próprio destino "sem interferência estrangeira ou subserviência".
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Logo no início do artigo, Lula afirma ter ficado surpreso com a carta enviada há um ano por Trump, que anunciava uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros.
Segundo ele, o documento deixava explícita a motivação política da medida ao citar o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O petista disse que, em conversas reservadas com Trump, defendeu a tese segundo a qual diferenças ideológicas não impedem uma relação mutuamente benéfica entre as duas maiores democracias e economias das Américas.
De acordo com Lula, a nova rodada de sobretaxas, cuja alíquota total pode chegar a 37,5%, ignorou "dezenas de reuniões entre nossas equipes, sólidos argumentos técnicos e documentos" entregues pessoalmente ao presidente norte-americano.
O petista cita dados da organização suíça Global Trade Alert para afirmar que Brasil e Turquia passaram a ser os segundos países mais tarifados pelos Estados Unidos, atrás apenas da China.
Lula também argumenta que a medida contrasta com o superávit acumulado pelos EUA no comércio bilateral de bens e serviços ao longo de 15 anos consecutivos.
Segundo Lula, as novas tarifas terão impacto negativo também sobre a economia dos EUA.
"Vários setores industriais dos Estados Unidos dependem de insumos brasileiros", escreveu. Ele acrescenta que alimentos, calçados, têxteis, móveis, autopeças e outros produtos tendem a ficar mais caros para os consumidores norte-americanos.
O presidente afirma ainda que as exportações brasileiras aos EUA atingiram o menor nível desde 1997. No artigo, ele diz que, na comparação entre o primeiro semestre de 2025 e o de 2026, o comércio bilateral caiu 12,8%, enquanto as trocas comerciais do Brasil com a União Europeia cresceram 6,1% e com a China avançaram 15,9%.
Lula critica política externa dos EUA
Em outro trecho do artigo, Lula afirma que a América Latina e o Caribe "não precisam de porta-aviões patrulhando suas águas nem de tarifas punitivas".
Segundo ele, a região necessita de "parceiros confiáveis e previsíveis" para promover desenvolvimento econômico e social.
O texto critica ainda tentativas de dividir o mundo em esferas de influência e classifica iniciativas diplomáticos dos EUA como "gestos anacrônicos e passos para trás" de caráter neocolonial.
Lula afirma que "a única guerra de que precisamos nesta parte do mundo é a guerra contra a fome, a pobreza e a desigualdade".
Para isso, diz que os instrumentos devem ser investimentos, transferência de tecnologia e comércio "justo e equilibrado".
O presidente também rejeitou as críticas feitas pela Casa Branca na aplicação das tarifas.
Ele afirma que as alegações de Trump são "infundadas", defende a regulação das plataformas digitais, sustenta que o Pix não discrimina empresas dos EUA e afirma que o Brasil intensificou o combate aos crimes ambientais e reduziu o desmatamento desde 2023.
Na conclusão, Lula afirma a disposição do governo brasileiro para manter as negociações com Washington.
"Estamos prontos para continuar nos envolvendo em um diálogo aberto e construtivo, como exige a relação entre dois países como Brasil e Estados Unidos", escreveu.
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