Ministro da Fazenda chama presidente argentino de 'palhaço' e agrava crise diplomática
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, chamou o presidente da Argentina, Javier Milei, de 'palhaço' durante entrevista a uma rádio, nesta segunda-feira, 27, intensificando a crise diplomática entre Brasil e Argentina.
A escalada na crise diplomática entre Brasil e Argentina ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira, 27, com a contribuição do ministro da Fazenda, Dario Durigan, que chamou o presidente argentino, Javier Milei, de “palhaço”.
O chefe da equipe econômica subiu o tom contra o líder do país vizinho durante entrevista à rádio Jornal, de Pernambuco. Durigan, que assumiu a pasta em março deste ano em substituição a Fernando Haddad (PT), saiu em defesa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), criticado por Milei.
"O palhaço do presidente da Argentina veio ao Brasil ontem e falou de Brasil, quando o risco país da Argentina é muito mais alto, a dívida pública é muito mais alta, a inflação é muito mais alta", afirmou o ministro da Fazenda.
No fim de semana, Milei esteve em São Paulo e participou da convenção do Partido Liberal (PL), que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (RJ) à Presidência da República. O argentino discursou e manifestou apoio a Flávio na disputa contra Lula pelo Palácio do Planalto.
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"Não dá para entrar na onda dessas pessoas que dizem que vai virar apocalipse", continuou Durigan na entrevista. "Não estou dizendo que está tudo resolvido. Juros [altos] que afetam todo mundo, agricultores, famílias, empresas. Eu tenho de pagar juros altos para rolar a dívida, isso me incomoda muito.”
Durigan rechaçou a possibilidade de o Brasil enfrentar uma recessão econômica em 2027. "Fala-se em recessão, porque, como o juro está alto, a economia tende a desacelerar. Nossa projeção é de 2% [para o PIB em 2027], mas tem gente falando em 1%”, disse o ministro.
“Não é recessão. Taxa de juros altos tem esse papel: desaquecer a economia. Então, a economia vai desacelerar, mas falar em recessão é um exagero.”
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Milei defende Flávio como única saída para o 'risco Lula'
Durante sua participação na convenção do PL que sacramentou a candidatura de Flávio Bolsonaro à sucessão de Lula, Javier Milei concentrou todas as atenções e fez um duro discurso com fortes críticas ao presidente brasileiro e à esquerda na América Latina.
“Confio plenamente em meu amigo Flávio Bolsonaro. Creio que somente Flávio pode parar Lula e trazer mudança”, afirmou o presidente da Argentina.
Segundo Milei, em caso de reeleição de Lula em outubro, o Brasil deve enfrentar crise semelhante à vivida pela Argentina antes de seu governo. “Aqui, hoje vocês têm o risco Lula", disse.
Para o líder argentino, o petista está “piorando a situação fiscal do país para ganhar as eleições” e levando o Brasil a “uma crise da dívida”.
Governo Lula convoca embaixador
Depois das declarações de Javier Milei na convenção do PL, o governo Lula convocou o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, para consultas. Segundo o Itamaraty, as falas do presidente argentino representaram uma ofensa aos Poderes Executivo e Judiciário.
Além das críticas a Lula, Milei também mirou sua artilharia em direção ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), chamando-o de “lixo careca”. O presidente da Corte, Edson Fachin, repudiou as declarações do argentino.
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