EDIÇÃO DO DIA · 05 de setembro de 2026 --:--:-- COLUMBUS 21ºC
AO VIVO

BRASIL ESTADO

Modelo Bukele: a inspiração da direita brasileira

O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, transformou sua política de combate ao crime em uma referência para parte da direita brasileira. O chamado "modelo Bukele" combina encarceramento em massa, ampliação da estrutura prisional, endurecimento contra organizações criminosas e uso de um regime de exceção. A estratégia reduziu drasticamente os homicídios no país e passou a influenciar propostas

O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, transformou sua política de combate ao crime em uma referência para parte da direita brasileira. O chamado "modelo Bukele" combina encarceramento em massa, ampliação da estrutura prisional, endurecimento contra organizações criminosas e uso de um regime de exceção. A estratégia reduziu drasticamente os homicídios no país e passou a influenciar propostas de candidatos brasileiros para o Executivo.

+ Entenda o que é Política em Oeste

O exemplo ganhou força na campanha de 2026. Entre os presidenciáveis, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é um dos que mais explicitamente defendem a adoção de medidas inspiradas em El Salvador. Em 30 de agosto, o parlamentar se reuniu em São Paulo com Gustavo Villatoro, ministro da Justiça e Segurança Pública de Bukele. Depois do encontro, afirmou que a experiência salvadorenha o inspira na elaboração de um plano para o Brasil.

Flávio defende a criação de 500 mil novas vagas no sistema prisional em quatro anos. O custo estimado fica entre R$ 35 bilhões e R$ 40 bilhões. O candidato também propõe um Ministério da Segurança Pública e o uso de tecnologia para impedir que presos mantenham contato com integrantes de facções.

Renan Santos quer importar a estratégia

Renan Santos, fundador e líder do Movimento Brasil Livre (MBL) | Foto: Divulgação/Confederação Nacional de Municípios

Candidato do Missão à Presidência, Renan Santos também apresenta Bukele como referência para sua política de segurança. Em sabatina no Jornal Nacional, em 26 de agosto, afirmou que pretende adotar medidas usadas em El Salvador e defendeu a adoção de um regime de exceção em áreas dominadas pelo crime organizado.

Renan também defendeu uma atuação mais agressiva das forças policiais. Sua proposta inclui a criação de grandes presídios federais. O candidato já havia declarado que pretende combinar referências de Javier Milei, na economia, e Bukele, na segurança.

Segurança como bandeira eleitoral

Nayib Bukele, presidente de El Salvador | Foto: Foto: Reprodução/Presidência de El Salvador

O modelo salvadorenho também aparece, em diferentes graus, nas propostas de Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD). Zema visitou El Salvador em 2025 e afirmou que medidas adotadas por Bukele para reduzir homicídios podem ser adaptadas ao Brasil. O governador, porém, disse discordar da suspensão de direitos supostamente promovida pelo governo salvadorenho.

Caiado também já citou a experiência de El Salvador ao defender o endurecimento do combate às organizações criminosas e a ampliação do sistema penitenciário. Os dois aparecem entre os presidenciáveis que defendem uma estrutura prisional mais robusta para enfrentar o crime organizado, mas sem uma referência absoluta ao modelo latino.

Leia mais: "Quem segura a tigela do Ocidente", artigo de Ana Paula Henkel publicado na Edição 337 da Revista Oeste

Reproduzir

A aproximação não ficou restrita aos candidatos ao Planalto. Em 2025, o senador Flávio Bolsonaro, o então governador Zema e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) visitaram El Salvador e conheceram o Centro de Confinamento do Terrorismo, o Cecot, uma das principais vitrines da política de segurança de Bukele.

A referência chega aos Estados

À esquerda, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas; à direita, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) | Foto: Reprodução/Instagram

Nos governos estaduais, Sergio Moro (PL-PR) levou a referência de Bukele para uma proposta concreta. Candidato ao governo do Paraná, o senador anunciou que pretende construir um presídio estadual de segurança máxima caso seja eleito. A unidade deverá se chamar “El Salvador”, em homenagem à política de segurança do país.

Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas também já citou Bukele ao defender uma política mais dura contra organizações criminosas. Em 2025, durante uma visita de autoridades brasileiras a El Salvador, Tarcísio afirmou que era preciso observar o que Bukele havia feito para enfrentar o crime e recuperar o controle do território.

A referência a El Salvador ganhou espaço porque os números chamam atenção. Segundo dados oficiais, o país terminou 2025 com 82 homicídios, uma taxa de 1,3 morte por 100 mil habitantes. Em 2019, foram registrados quase 2,4 mil homicídios.

Reproduzir

A queda ocorreu depois da adoção do regime de exceção, em 2022, e da ofensiva contra as gangues, que dominavam o país. Desde então, as autoridades salvadorenhas prenderam mais de 90 mil pessoas, segundo dados oficiais do governo.

No Brasil, o debate eleitoral se concentra principalmente nos resultados da política salvadorenha: redução dos homicídios, retomada de territórios e encarceramento de integrantes de organizações criminosas. Enquanto isso, setores da esquerda afirmam que Bukele promove detenções arbitrárias, mortes sob custódia e outras violações durante o regime de exceção.

O post Modelo Bukele: a inspiração da direita brasileira apareceu primeiro em Revista Oeste.

Leia também

VER TODAS ›