Netanyahu divulga candidatos do Likud para eleição ‘definitiva’
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, definiu nesta terça-feira, 8, os nomes que ocuparão as vagas reservadas por ele na lista do Likud, sigla da qual ele é líder, para a eleição de outubro. O anúncio ocorreu poucas horas antes do encerramento do prazo para os partidos apresentarem oficialmente suas chapas, relata o The Jerusalem Post. + Leia mais notícias de Mundo em Oeste A l
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, definiu nesta terça-feira, 8, os nomes que ocuparão as vagas reservadas por ele na lista do Likud, sigla da qual ele é líder, para a eleição de outubro. O anúncio ocorreu poucas horas antes do encerramento do prazo para os partidos apresentarem oficialmente suas chapas, relata o The Jerusalem Post.
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A lista é de candidatos a deputado que concorrerão a cadeiras no Knesset, Parlamento. Trata-se de uma lista fechada e ordenada, na qual o eleitor não escolherá individualmente os candidatos.
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Ao tratar da disputa, o primeiro-ministro colocou a escolha do eleitorado em termos de confronto entre dois campos. Ele vê essa eleição como definitiva para o futuro do país. Segundo Netanyahu, estará em jogo a permanência de um governo de direita forte, comandado por ele, ou a chegada ao poder de uma esquerda que classificou como fraca, liderada por Gadi Eisenkot, do Partido Yashar, e apoiada pelos árabes.
A composição da chapa também expõe uma mudança importante dentro do Likud. Netanyahu conseguiu aumentar sua influência direta sobre a relação de candidatos, apesar das resistências internas provocadas pelas alterações no tradicional sistema de primárias da legenda.
No mês passado, o Comitê Central do Likud autorizou o primeiro-ministro a indicar oito candidatos para posições previamente reservadas entre os 30 primeiros lugares da lista. Nas primárias realizadas em agosto, o ministro da Energia e Infraestrutura, Eli Cohen, ficou com a segunda posição, atrás apenas de Netanyahu.
Entre as escolhas está Talik Gvili, colocada na nona posição. Ela é mãe de Ran Gvili, soldado morto no ataque terrorista do Hamas em 7 de outubro e levado sem vida para a Faixa de Gaza. Seus restos mortais permaneceram no território até janeiro, quando foram recuperados e levados a Israel para sepultamento. Ele era o último refém que ainda permanecia em Gaza.
Outra indicação de peso político foi a de Yaakov Bardugo, comentarista do Channel 14 e aliado próximo de Netanyahu. Ele ficou com o 11º lugar. A 15ª posição foi destinada a Elisha Medan, reservista gravemente ferido durante os combates na Faixa de Gaza. Medan perdeu as duas pernas.
Logo depois aparece o advogado David Peter, escolhido para a 16ª colocação. Peter atuou na defesa do governo e de integrantes do gabinete, entre eles o ministro da Justiça, Yariv Levin, e o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir. Também representou o Executivo no confronto jurídico com a Suprema Corte de Israel em torno do fechamento da Army Radio.
Netanyahu ainda abriu espaço para um antigo integrante do campo adversário. Eli Goldschmidt, ex-deputado trabalhista que permaneceu no Knesset entre 1992 e 2001, ficou com o 26º lugar.
Na 29ª posição aparece Itzik Bonsel, pai do sargento-major Amit Bonsel, morto em combate durante a guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas. O brigadeiro-general da reserva Amir Avivi também havia sido incorporado à relação.
Fundador do Bithonistim, o Israel Defense and Security Forum, e presença frequente no programa Patriots, do Channel 14, Avivi recebeu inicialmente a 35ª posição. Horas depois, porém, deixou a chapa. Segundo o relato publicado, sua saída teria ocorrido por insatisfação com a colocação considerada baixa.
As decisões foram tomadas em meio à corrida contra o relógio. O prazo para que as legendas registrassem suas listas terminava às 22 horas desta terça-feira. O secretariado do Likud aprovou durante a tarde os nomes escolhidos por Netanyahu.
A interferência direta do primeiro-ministro na formação da chapa mexeu com uma tradição interna do partido. Durante anos, o Likud apresentou como uma de suas características a realização de primárias nas quais os filiados participam da escolha dos candidatos ao Knesset.
Nas semanas anteriores à votação interna, Netanyahu pressionou por mudanças nesse modelo. O resultado foi uma disputa particularmente acirrada, com menos posições disponíveis aos concorrentes.
Netanyahu garante três ministros
A colocação na lista pode ser decisiva. Pesquisas recentes citadas pelo texto situam o Likud na faixa de 20 cadeiras. Nesse cenário, estar aproximadamente entre os 20 primeiros nomes representa uma diferença concreta entre ter perspectivas razoáveis de chegar ao Parlamento e depender de um desempenho eleitoral acima das projeções.
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Parte desse rearranjo já havia começado em agosto. Netanyahu assegurara posições reservadas para três ministros: Israel Katz, da Defesa; Gideon Sa’ar, das Relações Exteriores; e Haim Katz, presidente do Comitê Central do Likud e responsável também por diferentes pastas ministeriais.
Gadi Eisenkot, cujo partido aparece à frente do Likud na maioria das pesquisas mencionadas pelo texto, reagiu duramente às escolhas.
Para ele, destinar lugares na chapa aos porta-vozes políticos de Netanyahu equivale a distribuir benefícios em troca de “lealdade cega”. Eisenkot acusou o primeiro-ministro de premiar pessoas que transformaram divisão, incitação e mentira em instrumentos cotidianos de sua atuação política.
O líder do Yashar afirmou ainda que, nesse sistema, critérios como serviço público, integridade e segurança de Israel perderiam espaço para outro parâmetro: o nível de fidelidade ao líder e a disposição de aprofundar as divisões da sociedade israelense.
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