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De bailarina de circo nos Estados Unidos à Câmara Municipal de São Paulo, Amanda Vettorazzo (União Brasil) construiu uma trajetória política ligada ao Movimento Brasil Livre (MBL). Agora, ocupa uma posição central na campanha presidencial de Renan Santos (Missão).

Eleita vereadora da capital paulista em 2024, com mais de 40 mil votos, Amanda preside atualmente a Comissão Extraordinária de Segurança Pública da Câmara.

Em maio, a vereadora assumiu a coordenação da campanha de Renan à Presidência. E atuará como secretária-geral da Presidência, caso o candidato da Missão seja eleito. Ela foi o primeiro nome anunciado pelo candidato para uma eventual composição ministerial.

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Em entrevista a Oeste, Amanda falou sobre a recente decisão do ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Dias Toffoli que atingiu a campanha digital de Renan, explicou por que considera legítimas algumas decisões de ministros e defendeu limites às decisões monocráticas no STF.

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A vereadora também tratou de temas que a puseram recentemente no noticiário, como o episódio em que deu voz de prisão a um homem que, segundo ela, tentou oferecer vantagem financeira em troca de sua atuação para favorecer um contrato na área de segurança pública.

Um dos pontos mais contundentes da conversa surgiu quando o assunto chegou a Jair Bolsonaro e ao 8 de janeiro. Amanda defendeu a dosimetria das penas e afirmou considerar que houve uma tentativa de golpe em 2023.

Toffoli determinou restrições à campanha digital de Renan Santos. A campanha considera que a decisão pode ter relação com as críticas feitas pela Missão ao ministro no caso Banco Master?

Tudo leva a crer que sim. Fizemos quatro manifestações contra o Banco Master quando absolutamente ninguém falava. Hoje, falar de Banco Master, de Vorcaro, é algo normal, mas, quando fizemos a primeira convocação em frente à instituição, já tínhamos indícios do envolvimento do Toffoli com Vorcaro. E aí vem uma decisão monocrática.

O que aconteceu com o registro das redes sociais da campanha?

Quando você registra a candidatura, existe uma série de exigências legais. Depois que a candidatura foi homologada, informamos o site oficial da campanha, no qual já constavam as nossas redes sociais. A campanha começou em 16 de agosto. No dia 19, identificamos que também era necessário informar individualmente cada uma das redes sociais à Justiça Eleitoral, e acrescentamos todas elas de boa-fé. Houve esse atraso, mas, por causa disso, o ministro justificou a derrubada de redes sociais que, desde 19 de agosto, já constavam oficialmente no sistema do TSE. O Fundo Eleitoral ajuda a otimizar as redes. Praticamente não temos fundo. São R$ 3 milhões divididos entre nossos candidatos, o que dá aproximadamente R$ 5 mil para cada deputado estadual. Também identificamos falhas sistêmicas na plataforma do TSE e não recebemos nenhum aviso. O Renan tinha de 10 milhões a 15 milhões de visualizações por dia. Além das sabatinas e dos debates, era o único meio dele.

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Renan já elogiou decisões de Alexandre de Moraes, inclusive em casos envolvendo Roberto Jefferson. O que mudou?

Algumas medidas a gente enaltece. Por exemplo, discordo da maior parte das decisões do Flávio Dino, mas investigar emendas é louvável. É um elogio àquela ação específica. Há coisas que estão sendo colocadas fora de contexto. E fomos os primeiros a nos manifestar sobre o impeachment de Moraes, antes mesmo do que aconteceu com a campanha digital do Renan.

Qual é o peso das redes sociais numa eleição hoje?

Basta ver o resultado de Pablo Marçal nas eleições municipais de 2024. Ele chegou longe. As redes sociais são uma ferramenta democrática e podem ser usadas para o bem e para o mal. É uma vantagem para quem não tem muita verba ou tempo de televisão.

Quando a campanha de Renan teve as redes bloqueadas, Flávio Bolsonaro se manifestou sobre o caso. Como você recebeu essa manifestação?

Acho que com Jair Bolsonaro foi diferente. Para o 8 de janeiro, acreditamos em uma dosimetria. Tem gente que não merece estar presa ainda, mas a tentativa de golpe realmente existiu. Não houve uma intenção de golpe democrático no caso do Renan, de ruptura das instituições. Se o Flávio tivesse passado pelo que o Renan passou, o apoiaríamos.

Isso significa que você considera justificada a prisão de Jair Bolsonaro pela existência de uma intenção de golpe?

Sim. Isso é muito sério. Você tentar um golpe é algo muito sério. É um golpe à democracia e é um golpe à República.

Dosimetria ou anistia?

Dosimetria. Todos têm de pagar. Mas quem não participou precisa comprovar. Agora, quem quebrou cadeiras, móveis, entrou ali, precisa pagar. Igualmente em relação aos movimentos de invasão do Boulos.

A intenção, por si só, pode levar alguém à prisão?

Sim. Se você estivesse ao lado do rapaz que tentou a corrupção, por exemplo, e veio com ele, vai responder junto. Antes, havia apenas a sua desconfiança. Quem estava lá fora, sem intenção de quebrar, é outra coisa. Havia convocações de golpe. Tem de fazer perícia no celular etc. Então, uma senhorinha que viu um post e compartilhou sobre urna fraudada precisa ser julgada, ainda que só estivesse no local.

Isso não abre um precedente?

Para que as pessoas não façam. Acho que ninguém pode fazer nada antidemocrático.

Mas quando Renan afirmou que desobedeceria à decisão de Toffoli, isso não representa um ataque à instituição?

Não, porque foi uma decisão monocrática. Acho que Alexandre de Moraes também não pode mais ter decisões monocráticas, assim como Toffoli não poderia ter tomado uma decisão dessas em relação ao Renan. Acho que isso tem de ser levado ao colegiado, e a posição dos ministros precisa ser clara. Assim a gente consegue, minimamente, ter uma democracia equilibrada.

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