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Diego Costa da Silva Araújo, de 27 anos, foi retirado de uma aula e espancado por um grupo de estudantes na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Aluno do décimo período de História e marxista declarado, o jovem carregava um broche com uma suástica riscada — símbolo usado para expressar oposição ao nazismo.

A agressão ocorreu em 25 de agosto, no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), no centro do Rio de Janeiro. Além do broche, Diego vestia uma camiseta da banda britânica Death in June.

Vídeos gravados no prédio da IFCS mostram o estudante cercado e atingido com socos e chutes. Em uma das cenas, aproximadamente dez pessoas participam do ataque durante pelo menos 30 segundos. Diego continua a ser agredido enquanto desce a escadaria do instituto.

“Não compactuo com os ideais fascistas, não compactuo com os ideais nazistas”, afirmou a vítima, em entrevista ao jornalista Pedro Doria. “Não sou nazista.”

Diego disse que estuda o fascismo e a iconografia política por interesse acadêmico. Como explicou, o broche tinha sentido antinazista, e a camiseta pretendia ridicularizar a ideologia de Adolf Hitler.

A estampa da camisa continha uma caveira semelhante à Totenkopf. O símbolo foi utilizado por forças militares em diferentes períodos e posteriormente adotado por unidades da SS nazista. O broche, por sua vez, mostrava uma suástica atravessada por uma faixa vermelha, composição habitualmente usada para indicar proibição ou repúdio ao nazismo.

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Os momentos antes da agressão

O confronto começou depois que o estudante de Direito Deivid Lima entrou na sala para questionar Diego sobre os símbolos. Os alunos afirmaram que o jovem deveria ser retirado do local e encaminhado à segurança da universidade ou a uma delegacia.

Deivid também acusa Diego de tê-lo agredido, puxado seu cabelo, chamado de “macaco” e feito uma ameaça de morte. Seus advogados afirmam que o estudante de Direito foi vítima de agressão física e injúria racial. Diego nega as acusações. Em depoimento, afirmou que tentou explicar o significado da roupa e do broche e que seus movimentos ocorreram durante uma tentativa de defesa.


As imagens divulgadas nas redes sociais comprovam a agressão coletiva contra Diego. A Polícia Civil informou que procura esclarecer a sequência dos acontecimentos e as condutas de cada envolvido.

O caso está sob responsabilidade da 1ª Delegacia de Polícia, na Praça Mauá. Desde o registro da agressão, os investigadores analisam os vídeos gravados por testemunhas. A apuração abrange o espancamento, as ameaças, a injúria racial e as acusações de apologia do nazismo.

Até o meio-dia deste domingo, 6, a polícia não havia divulgado nenhuma conclusão.

Professores chamam vítima de “neonazista”

Mesmo antes do fim das investigações, professores e outros integrantes da comunidade acadêmica assinaram um manifesto que chama Diego de “neonazista” e trata as acusações contra o jovem como fatos.

O documento afirma que o estudante cometeu um “ato criminoso” e que os símbolos tinham um “propósito evidente”. Também contesta a descrição do ataque como linchamento e classifica a reação dos alunos como “autodefesa”.

A estampa da camisa continha uma caveira semelhante à Totenkopf. O símbolo foi utilizado por forças militares em diferentes períodos e posteriormente adotado por unidades da SS nazista | Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

Em outro trecho, os signatários afirmam: “Recusamos o justiçamento”. O manifesto pede que Diego seja punido conforme o Estatuto e o Regimento da universidade, além das medidas previstas na legislação.

Centros acadêmicos de História e Ciências Sociais também realizaram uma manifestação contra o que chamaram de ameaças nazifascistas na UFRJ. Os representantes mantiveram a acusação de apologia ao nazismo.

Universidade abre sindicância

A UFRJ instalou uma comissão de sindicância para identificar os participantes e apurar responsabilidades. A instituição declarou que repudia qualquer manifestação de nazismo, fascismo, racismo, antissemitismo, intolerância ou discriminação.

A reitoria ressaltou, contudo, que agressões físicas não podem ser admitidas como resposta a provocações, conflitos ou divergências ideológicas.

O Palácio Universitário da Praia Vermelha é um dos prédios símbolo da UFRJ | Foto: Fábio Caffé/SGCOM/UFRJ

O IFCS informou que prepara protocolos e materiais destinados a orientar professores e funcionários em situações semelhantes. A universidade ainda não divulgou prazo para encerrar a sindicância nem informou se os envolvidos no espancamento foram afastados.

Depois do ataque, Diego disse que sente dores, não consegue dormir normalmente e teme retornar ao campus. O estudante afirmou que não considera possível retomar as aulas enquanto a universidade não oferecer garantias para sua segurança.

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O post Estudante marxista é espancado na UFRJ por grupo que alegava combater o nazismo apareceu primeiro em Revista Oeste.

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