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Um pedido de compra de um BYD Song em nome da empresária Karina Ferreira da Gama, produtora do filme Dark Horse, registra uma forma de pagamento diferente daquela que ganhou repercussão depois da Operação Make Up, da Polícia Federal (PF). No documento, obtido com exclusividade por Oeste, não há registro de pagamento em dinheiro vivo.
Reportagens publicadas nesta quinta-feira, 10, afirmaram que Karina havia comprado um BYD Song Plus por R$ 102.190 em espécie. A informação tem origem em uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou buscas contra a empresária e outros investigados. De acordo com o trecho reproduzido pela imprensa, a aquisição teria ocorrido em 13 de janeiro de 2025 e chamado atenção porque a compra teria sido paga com “valores totais em espécie”.
O pedido de compra ao qual Oeste teve acesso, contudo, apresenta outros dados sobre a negociação. Emitido pela CMD BD Comércio de Automóveis Elétricos Ltda., concessionária da BYD em São Paulo, o documento está em nome de Karina e se refere a um Song novo, modelo 2024/2025. O preço indicado é de R$ 234,8 mil. Com serviços adicionais, a proposta chega a R$ 240.980.
Na discriminação da forma de pagamento, aparecem R$ 95 mil como “DEPÓSITO EM C/C (TED/PIX)” e outros R$ 5 mil como “DEPÓSITO EM C/C (DOC/TED)”. Os dois lançamentos têm vencimento em 18 de janeiro de 2025.
A maior parcela do preço aparece como financiamento. São R$ 134,8 mil por meio do Banco Itaucard, com alienação do veículo. O pedido prevê 48 parcelas: 47 de R$ 4.168,37 e uma de R$ 4.139. Há ainda pagamentos de R$ 2.190 e R$ 3.990 em cartão de crédito.
Nenhuma das formas de pagamento discriminadas no pedido é identificada como dinheiro em espécie.
Valores e datas não coincidem
As diferenças vão além da forma de pagamento. A decisão de Dino atribui à aquisição o valor de R$ 102.190 e a data de 13 de janeiro de 2025. O pedido obtido por Oeste tem como data da proposta 18 de janeiro de 2025, cinco dias depois, e registra preço de R$ 234,8 mil para o veículo.
Há uma coincidência entre os números. Os R$ 102.190 citados na decisão correspondem à soma dos R$ 100 mil registrados no pedido como depósitos bancários com os R$ 2.190 cobrados pela documentação do veículo. Esse último valor, entretanto, aparece no pedido como pagamento por cartão de crédito.
Operação Make Up
Karina é sócia-administradora da Go Up Entertainment, responsável pela produção de Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ela também preside o Instituto Conhecer Brasil (ICB), uma das entidades investigadas pela PF.
A Operação Make Up foi deflagrada na quinta-feira 10 para investigar suspeitas de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares. A PF cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. O deputado federal Mario Frias (PL-SP), roteirista e produtor-executivo de Dark Horse, também foi alvo.
A investigação apura, entre outros pontos, o destino de recursos destinados pelo parlamentar ao ICB. A PF suspeita que parte do dinheiro tenha chegado à Go Up por intermédio de outras empresas. Os investigadores apontaram coincidências de datas e valores, mas a origem exata de determinados recursos ainda está sob apuração.
Karina já afirmou que não captou recursos nem tratou com financiadores de Dark Horse. Segundo a empresária, a empresa dela prestou o serviço de produção do filme e foi remunerada por esse trabalho. Ela também afirmou que entregou documentos quando solicitada pela PF.
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