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Os ministros do Interior da União Europeia (UE) concordaram, nesta terça-feira, 4, em reforçar a proteção das fronteiras externas do bloco e ampliar as medidas de combate à imigração ilegal. A decisão foi tomada em uma reunião de emergência, convocada menos de uma semana depois da crise migratória em Ceuta, enclave espanhol no norte da África.

No encontro, os ministros também defenderam o fortalecimento dos mecanismos de retorno de imigrantes em situação irregular, a ampliação da cooperação com países de origem e trânsito e o combate às redes de tráfico de pessoas.

"Houve consenso quanto à necessidade de continuar a combater sem tréguas as redes de auxílio à imigração ilegal, reforçar os mecanismos de regresso, fortalecer as fronteiras da UE, desenvolver parcerias sólidas com países terceiros e melhorar a capacidade de antecipação", informou o Conselho da UE.

UE busca evitar novas crises migratórias

Os ministros também defenderam o fortalecimento dos sistemas de alerta precoce. A proposta inclui ampliar a coleta de informações antes da chegada dos migrantes às fronteiras e intensificar o monitoramento das redes sociais para antecipar novos fluxos migratórios.

Segundo o comunicado, os países também concordaram em ampliar as parcerias com nações de origem dos migrantes. O objetivo é criar oportunidades econômicas nesses países e fortalecer a gestão dos fluxos migratórios.

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A reunião também abordou a comunicação entre os Estados-membros durante crises migratórias. Os ministros defenderam uma atuação mais coordenada para combater campanhas de desinformação e operações de influência promovidas por agentes externos.

Nos últimos dias, a crise em Ceuta provocou atritos entre governos europeus. Itália, Dinamarca e Finlândia chegaram a defender a suspensão da Espanha do Espaço Schengen, enquanto Madri criticou o que classificou como reações "egoístas" de alguns parceiros.

Leia também: "Itália fecha fronteiras com a Espanha depois de onda migratória em Ceuta"

Apesar das divergências, o conselho informou que os Estados-membros manifestaram apoio unânime à Espanha.

O ministro da Administração Interna da Irlanda, Jim O'Callaghan, cujo país exerce a presidência rotativa do Conselho da UE, afirmou que o bloco manterá apoio à Espanha. "As fronteiras externas da UE são uma responsabilidade comum, e a migração exige uma resposta europeia unida", declarou.

Os ministros elogiaram a resposta das autoridades espanholas à crise e apresentaram condolências às vítimas que morreram durante a travessia.

Crise em Ceuta motivou reunião de emergência

A reunião extraordinária foi convocada no último sábado, 1º, dois dias depois da entrada em massa de migrantes procedentes do Marrocos em Ceuta.

Milhares de marroquinos atravessaram a fronteira por terra e pelo mar sem utilizar os canais legais de imigração. Muitos chegaram sem bagagem e até descalços.



Segundo o governo espanhol, cerca de 50 mil pessoas entraram em Ceuta durante a crise. As autoridades locais estimam que o número tenha alcançado 60 mil.

Mais de 70 pessoas morreram durante a travessia a nado entre Marrocos e o enclave espanhol, enquanto mais de mil migrantes receberam atendimento médico.

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