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A quinta redução seguidas da taxa básica de juros (Selic), feita pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), na última quarta-feira, 16, revela um cenário desafiador, que inclui outros fatores além do ambiente externo incerto por causa das guerras e de questões climáticas.

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São eles: uma desaceleração em setores cíclicos, mencionados pelo BC, apesar de as projeções de crescimento se manterem, e pressão inflacionária ainda em setores como o de serviços. A inflação geral vem recuando, mas projeções ainda a mantêm acima da meta de 3%. O cenário do BC projeta IPCA de 5,2% em 2026.

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Para o economista Rodrigo Xavier, formado em Economia pelo Insper, a desaceleração dos setores cíclicos, para o BC, é um componente central na análise da diferença entre a capacidade produtiva da economia e a sua demanda efetiva. Os setores cíclicos são os mais sensíveis a juros altos, no caso atividades como comércio, especialmente bens financiáveis; indústria; construção e alguns serviços.

Eles são afetados pelo aumento do custo do crédito e do financiamento. O BC, neste momento, considerou que os juros altos haviam refreado demais esses setores e a redução gradual precisa ser mantida para que eles se reaqueçam.

"A indústria de transformação e o comércio são fortemente sensíveis ao custo do crédito e às taxas de juros reais de longo prazo", observou Xavier, que é CEO da corretora Oz Câmbio. "Quando esses setores mostram sinais de arrefecimento, isso sinaliza uma desaceleração da demanda agregada. O BC monitora esses indicadores porque a desaceleração da atividade econômica tende a reduzir o repasse de custos e a margem de remarcação dos preços ao consumidor final."

Segundo Xavier, essa perda de fôlego nos setores mais sensíveis ao crédito é entendida pelo Copom como evidência de que a política monetária prévia cumpriu parte do seu papel de reduzir a inflação. Isso, mesmo com segmentos ainda pressionados e com uma projeção ainda acima da meta. No entendimento do BC, apesar de alguns segmentos pontuais com inflação mais alta, no geral ela começou a ceder.

"Trata-se do clássico dilema da calibração monetária", ressaltou Xaver. "A inflação cheia pode até dar sinais de convergência, mas a persistência de núcleos inflacionários elevados — como o setor de serviços, que é intensivo em mão de obra — exige extrema cautela. A redução atual não significa abandono do compromisso com as metas de inflação (IPCA), mas sim uma ajuste fino de dosagem."

Repercussões, para o governo, dos juros reduzidos pelo BC

A princípio, esta redução é benéfica para o governo. No entanto, expectativas podem ser frustradas em função do tempo de maturação de uma redução de juros, ainda mais sendo gradual. Neste sentido, as cobranças sobre o governo podem aumentar, segundo o economista.

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"No lado positivo, para o Executivo, a queda da Selic reduz o custo de rolagem da dívida pública — que é fortemente atrelada à taxa flutuante —, gerando um alívio nas contas fiscais do Tesouro", afirmou Xavier, lembrando também a já citada facilidade maior para o crédito. "Além disso, a médio prazo, o crédito mais acessível favorece o investimento, o consumo das famílias e o nível de emprego, o que tende a melhorar a percepção geral da economia."

Xavier, então, incluiu neste pacote de repercussões políticas, a questão do tempo. "Por outro lado, o efeito não é imediato devido à defasagem da política monetária, que leva entre 6 e 9 meses para se transmitir integralmente à economia real", destacou o economista.

"O risco político reside em criar uma expectativa de aceleração econômica no curto prazo que não se concretize de imediato, ou de um eventual repique inflacionário caso o mercado interprete o movimento como precoce."

Para ele, questões políticas não interferem nestas decisões do Copom. "O BC não atua com base em calendário eleitoral ou pressões conjunturais da política, mas sim com base no sistema de metas para a inflação e na estabilidade do sistema financeiro."

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