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A cultura sul-coreana (K-wave), que começou na pandemia como um fenômeno entre adolescentes apaixonados por bandas de K-pop ou doramas (séries dramáticas), vem ganhando relevância no consumo brasileiro, especialmente entre pessoas com mais de 50 anos e no setor de produtos de beleza.
Uma pesquisa inédita realizada pela Serasa mostrou que 76% dos brasileiros declaram ter interesse pelo universo coreano. Mais do que curiosidade, o movimento converteu-se em compras recorrentes: do total de entrevistados, 29% adquirem produtos ligados à Coreia do Sul pelo menos uma vez por mês e 21% realizam essas compras a cada dois ou três meses.
O estudo, feito em parceria com o Instituto Opinion Box e o Centro Cultural Coreano no Brasil, traz também dados de consumo e endividamento. Do total de entrevistados, 16% afirmam já ter utilizado o limite do cartão de crédito para fazer compras relacionadas à cultura coreana. Em relação a valores, 47% desembolsam até R$ 250 mensais e outros 18% gastam mais de R$ 500 por mês.
A pesquisa foi conduzida pelo Instituto Opinion Box, com 1.453 entrevistas on-line em todo o território nacional e margem de erro de 2,5 pontos porcentuais.
K-wave no Brasil
Dados da pesquisa citada na reportagem
Os gráficos preservam os recortes e denominadores descritos no texto.
K-wave no Brasil
Dados da pesquisa citada na matéria — visualização interativa em paleta inspirada na Revista Oeste.
Base informada na matéria: 1.453 entrevistas online em todo o território nacional; margem de erro de 2,5 pontos percentuais. Os gráficos preservam os recortes e denominadores descritos no texto.
“Os dados mostram como a cultura coreana deixou de ser uma simples forma de entretenimento para se tornar parte do estilo de vida de muitos brasileiros, ganhando até mesmo um papel relevante dentro da nossa economia”, avalia Aline Maciel, especialista da Serasa.
O Brasil já ocupa o posto de 3º maior mercado consumidor de produtos de beleza do mundo. De olho num mercado em potencial, grandes redes voltadas para a beleza, como Sephora e Soneda, e farmacêuticas, a exemplo da Pague Menos, passam a dar mais espaço para os produtos asiáticos em suas prateleiras.
A RD Saúde (holding que controla Raia e Drogasil) separou um espaço exclusivo para produtos asiáticos em sua nova loja-piloto em São Paulo. Com mais de 65% do portfólio focado em dermocosméticos, o novo conceito inclui ainda fragrâncias e tratamentos capilares voltados para a alta renda. O plano prevê a expansão desse modelo de loja.
“Os brasileiros passaram a ver filmes e doramas na pandemia, o que despertou o interesse pelos produtos e comidas da Coreia”, explica Priscila Park, gerente de comunicação do Centro Cultural Coreano no Brasil.
A geração 50+
Outra curiosidade identificada pela pesquisa é que 28% dos entrevistados com interesse na cultura coreana têm mais de 50 anos. Para esse grupo, os produtos mais interessantes são os trajes tradicionais (hanbok), o idioma e a gastronomia.
De acordo com o levantamento, dos entrevistados com mais de 50 anos, 68% passaram a pesquisar mais sobre a Coreia do Sul e 58% começaram a estudar a língua coreana.
Mais de 52% do público planeja viajar até a capital, Seul, e 40,8% desejam importar produtos diretamente do país de origem. No entanto, o desejo esbarra na realidade orçamentária: 80% dos entrevistados com mais de 50 anos relatam já ter adiado ou deixado de realizar algum sonho ligado à cultura coreana por restrições financeiras.
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