Quatro em cada dez brasileiros cresceram sem presença paterna
Uma pesquisa com 1.030 homens e mulheres com 18 anos ou mais, realizada em junho deste ano, revelou que quatro em cada dez brasileiros não conviveram com a figura paterna durante toda a infância e a adolescência. O levantamento indica que 61% dos entrevistados tiveram a presença do pai ou de uma figura paterna nesse período.
Quatro em cada dez brasileiros não conviveram com a figura paterna durante toda a infância e a adolescência. É o que mostra uma pesquisa do Instituto Locomotiva, obtida pelo UOL, que ouviu 1.030 homens e mulheres com 18 anos ou mais em junho deste ano.
Segundo o levantamento, 61% dos entrevistados disseram ter convivido com o pai ou uma figura paterna durante toda a infância e adolescência. O porcentual varia conforme a renda familiar.
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Nas classes D e E, 51% afirmaram ter tido a presença paterna durante esse período. Na classe C, o índice foi de 60%. Entre as classes de maior renda, 67% relataram ter convivido com o pai ou uma figura paterna.
Pais são mais associados ao sustento
A pesquisa também perguntou sobre as atividades desempenhadas pelos pais. Entre os entrevistados que tiveram uma figura paterna presente, 64% associaram o pai ao pagamento de despesas, como roupas, alimentação e medicamentos.
A participação em tarefas relacionadas ao cuidado cotidiano apareceu com menos frequência. Três em cada dez entrevistados disseram que os pais cuidavam deles quando eram recém-nascidos, incluindo atividades como trocar fraldas e dar banho.
Participação no cotidiano dos filhos é menor
A presença paterna também foi avaliada em atividades escolares e relacionadas à vida pessoal dos filhos. Apenas dois em cada dez entrevistados disseram que os pais participavam de reuniões na escola, conversavam sobre sentimentos ou ajudavam nas tarefas escolares.
Para 41% dos entrevistados, os pais nunca participaram de reuniões escolares. Outros 38% disseram que nunca conversaram com o pai sobre preocupações, enquanto 39% afirmaram que ele nunca ajudou nas tarefas escolares.
O diálogo sobre temas considerados difíceis também aparece com baixa participação. Para 37%, os pais nunca conversaram sobre assuntos como relacionamentos, drogas ou saúde mental.
A demonstração de carinho e afeto também apresentou resultado semelhante: 63% disseram que os pais fizeram isso apenas algumas vezes ou nunca.
Maioria defende responsabilidades compartilhadas
Para 88% dos entrevistados, demonstrar carinho e afeto deveria ser responsabilidade de pai e mãe. Outros 87% consideram que os dois deveriam proporcionar momentos de lazer e diversão e conhecer os amigos dos filhos.
Conversar sobre sentimentos deveria ser uma responsabilidade compartilhada para 80% dos entrevistados. Já 84% defendem que pai e mãe dividam a responsabilidade por conversas sobre temas difíceis.
Mais de 79% também consideram que os dois deveriam acompanhar o uso da internet e das redes sociais, participar de eventos escolares, ajudar nas tarefas, acompanhar consultas médicas e ajustar compromissos profissionais para acompanhar os filhos.
A pesquisa perguntou ainda o que seria mais importante na relação entre pais e filhos. Para 76% dos entrevistados, a confiança é mais importante do que a autoridade. Outros 24% escolheram a autoridade como principal característica.
O levantamento teve margem de erro de 3,1 pontos porcentuais e foi realizado por meio de entrevistas digitais de autopreenchimento em todo o país.
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