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Relatório aponta presença de programa chinês em escolas e universidades dos EUA

Levantamento identificou o programa de bolsas Young Envoys Scholarship (YES) em pelo menos 83 universidades e 26 escolas de ensino fundamental e médio, abrangendo 30 estados norte-americanos. Segundo o estudo, a iniciativa é supervisionada por uma entidade chinesa que declara seguir o marxismo-leninismo e o pensamento de Xi Jinping.

Um relatório da organização Defending Education identificou a presença do programa de bolsas Young Envoys Scholarship (YES) em pelo menos 83 universidades e 26 escolas de ensino fundamental e médio de 30 Estados norte-americanos. Segundo o levantamento, a iniciativa é supervisionada por uma entidade chinesa que declara em seus documentos oficiais seguir o marxismo-leninismo e o pensamento de Xi Jinping.

Intitulado “Pequenas Salas de Aula Vermelhas: A Infiltração da China nas Escolas Americanas de Ensino Fundamental e Médio”, o estudo afirma que o YES é monitorado pela Associação Chinesa de Educação para Intercâmbio Internacional (CEAIE). A organização passou a desempenhar papel semelhante ao dos Institutos Confúcio, que começaram a sofrer restrições do Congresso norte-americano em 2021.

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Em seu site em chinês, a CEAIE afirma ser orientada pelo “marxismo-leninismo” e pelo pensamento de Xi Jinping sobre o socialismo. Entre os objetivos declarados está “aderir sempre à liderança do Partido e integrar o trabalho do Partido a todo o processo de operação e desenvolvimento da associação”.

O ditador da China, Xi Jinping | Foto; Reprodução/ X

Programa é apresentado como intercâmbio cultural

Reagan Dugan, diretora de iniciativas de ensino superior da Defending Education, afirmou ao portal Daily Signal que a iniciativa representa uma forma de influência política dentro do sistema educacional dos Estados Unidos.

“A organização que Xi Jinping encarregou pessoalmente de levar 50 mil jovens norte-americanos para a China, a CEAIE, afirma em seu próprio estatuto que existe para realizar atividades do Partido e ‘aderir à liderança geral do Partido Comunista da China’”, disse.

Segundo Dugan, a presença da entidade alcança instituições de diferentes níveis de ensino. “Esta mesma organização está agora supervisionando a programação do YES dentro de pelo menos 83 universidades e 26 escolas de ensino fundamental e médio em 30 estados”, declarou.

Jovens ocidentais durante intercâmbio promovido pela CEAIE | Foto: Divulgação/CEAIE

“As famílias estão comprando a ideia de um intercâmbio cultural. O que elas estão realmente recebendo é um canal administrado pelo partido dentro das salas de aula de seus filhos”, acrescentou. A CEAIE não respondeu ao pedido de comentário feito pelo Daily Signal até a publicação da reportagem.

O relatório também cita casos envolvendo universidades norte-americanas e investimentos de origem chinesa. Segundo informações compiladas pelo portal The College Fix, instituições estaduais, como o sistema da Universidade de Illinois, receberam US$ 26,5 milhões dos US$ 168 milhões em doações provenientes de fontes chinesas destinadas a universidades dos EUA em um período de seis meses de 2021.

Ainda conforme o documento, universidades foram alvo de investigações por não informarem integralmente recursos estrangeiros recebidos. A Universidade de Indiana também aparece no levantamento da Defending Education.

Estudantes e aliados se reúnem perto da Universidade Howard e depois marcham até o Franklin Park para protestar contra o governo Trump e o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) em Washington, DC, EUA (30/01/2026) | Foto: Reuters/Celal Gunes/Anadolu

Um pesquisador chinês ligado à instituição foi detido e deportado depois de se declarar culpado de contrabandear para os Estados Unidos DNA derivado da bactéria E. coli. O The College Fix também informou que o procurador-geral de Indiana abriu, em 2020, uma investigação sobre a influência chinesa em faculdades estaduais.

Escolas dos EUA também aparecem no levantamento

A atuação do YES, segundo a Defending Education, não estaria restrita ao ensino superior. A Lincoln High School, integrante do distrito escolar de Tacoma, no Estado de Washington, é citada como uma das escolas que oferecem aos alunos viagens patrocinadas pelo programa.

O relatório afirma que as viagens e os intercâmbios são utilizados por autoridades chinesas para aproximar estudantes norte-americanos de instituições do país. Segundo o documento, algumas dessas iniciativas envolvem “visitas patrocinadas e cuidadosamente narradas, vinculadas a instituições e alardeadas nos veículos de imprensa oficiais do Estado”.

Para a organização, essas atividades podem atender a interesses da diplomacia cultural chinesa.

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