Secretário de Segurança do Rio compara facções criminosas ao avanço nazista
O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor dos Santos, comparou o crescimento das facções criminosas no Brasil à expansão promovida por Adolf Hitler na Europa. A declaração foi feita nesta terça-feira, 11, durante o COP Internacional, em São Paulo.
O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor dos Santos, comparou o avanço das facções criminosas no Brasil à expansão promovida por Adolf Hitler na Europa. A declaração ocorreu nesta terça-feira, 11, durante o COP Internacional, em São Paulo.
Segundo o secretário, organizações como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) deixaram de concentrar suas atividades no tráfico de drogas. Para ele, os grupos passaram a ampliar o controle sobre territórios, atividades econômicas e até o voto da população.
Facções avançam pelo Brasil
Santos afirmou que as organizações criminosas avançam gradualmente por diferentes regiões do país. Ele comparou esse movimento à estratégia adotada por Hitler durante a 2ª Guerra Mundial.
“Na 2ª Guerra Mundial, Hitler fez a mesma coisa com a Europa”, disse o secretário. “Ele foi tomando pequenos países e assim expandindo o seu poder.”
O secretário classificou as facções como uma espécie de “metástase” que se espalhou pelo território nacional. Na avaliação dele, os grupos como PCC e CV passaram a estabelecer estruturas permanentes em diferentes regiões.
O avanço também envolve atividades econômicas. As facções passaram a controlar serviços e produtos dentro de comunidades, segundo o secretário. A atuação inclui setores como internet, transporte, gás e comércio local.
Rio recebe criminosos de outros Estados
Ao portal Metrópoles, Santos afirmou que o crime organizado passou a monopolizar até serviços básicos em áreas dominadas por criminosos. Ele citou a venda de pão e o fornecimento de internet como exemplos.
O secretário também afirmou que comunidades do Rio de Janeiro servem como refúgio para criminosos de outras regiões do país ligados a facções.
Segundo dados da Secretaria de Polícia Penal do Rio de Janeiro, o número de presos no Estado que tinham mandados de prisão expedidos pela Justiça de outras unidades da Federação aumentou 63% de 2022 a 2025.
Santos citou uma operação realizada nos complexos da Penha e do Alemão, em outubro de 2025. Na ocasião, cinco mandados expedidos pela Justiça do Pará foram cumpridos no Rio de Janeiro.
Outros 15 suspeitos do Pará morreram durante confrontos, segundo informações apresentadas pelo secretário. As investigações apontavam envolvimento dos alvos em crimes como tráfico de drogas, organização criminosa, homicídios, extorsões e ataques contra agentes de segurança.
Geografia favorece atuação criminosa
O secretario também relacionou a geografia do Rio de Janeiro à atuação das organizações criminosas. O Estado tem cerca de 17 milhões de habitantes, e aproximadamente 70% da população vive na Região Metropolitana.
Na capital fluminense, cerca de 21,73% da população vive em favelas, segundo dados apresentados pela Secretaria de Segurança Pública.
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Para o secretário, a proximidade entre áreas formais da cidade e comunidades aumenta a complexidade do combate ao crime. A configuração urbana facilita a movimentação de criminosos e dificulta o controle territorial.
O secretário defendeu a continuidade das operações contra as facções e afirmou que o combate ao crime organizado precisa considerar a expansão dos grupos para atividades que vão além do tráfico de drogas.
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