Atlas sobre antissemitismo é lançado para combater o discurso de ódio
O estudo Decodificando o Antissemitismo: Um Atlas de Tropos de Ódio, do Deicídio ao Genocídio foi apresentado nesta quarta-feira, 2, em São Paulo, com o objetivo de se tornar uma ferramenta permanente de combate ao discurso de ódio contra os judeus. Trata-se de um livro de grandes dimensões, com imagens coloridas e textos, remetendo a perseguições sofridas pelos judeus na Antiguidade, antes mesm
O estudo Decodificando o Antissemitismo: Um Atlas de Tropos de Ódio, do Deicídio ao Genocídio foi apresentado nesta quarta-feira, 2, em São Paulo, com o objetivo de se tornar uma ferramenta permanente de combate ao discurso de ódio contra os judeus. Trata-se de um livro de grandes dimensões, com imagens coloridas e textos, remetendo a perseguições sofridas pelos judeus na Antiguidade, antes mesmo da era medieval. A obra também pode ser acessada pela internet.
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No evento de lançamento, uma das autoras, a antropóloga Anelise Fróes, contou a Oeste que, apesar das mudanças de estereótipos, algumas estruturas de ódio antigas se repetem. Elas aparecem inseridas na linguagem contemporânea, muitas vezes pelas redes sociais, por meio de imagens, memes, discursos e teorias distorcidas e conspiratórias. Mecanismos de reação, é verdade, se fortaleceram em relação a séculos atrás, mas nem por isso a sanha persecutória deixou de ser perigosa.
"Hoje, contamos com novos mecanismos de defesa e conscientização que não existiam anteriormente, mas a força histórica da sobrevivência judaica continua sendo um exemplo da importância do diálogo e da resistência contra o ódio."
Pelos números apresentados dias antes no relatório da Confederação Israelita do Brasil (Conib), que serviram como um dos parâmetros para o atlas, a conclusão é a de que os ataques terroristas do Hamas em 7 de outubro de 2023, em Israel, serviram para reacender um antissemitismo que parecia adormecido.
Em 2025, por exemplo, no Brasil o canal de denúncias registrou 989 ocorrências de antissemitismo, o que equivale a um aumento de 149,1% em relação a 2022. Destes, 800 casos foram ocorrências de antissemitismo online.
Uma das metas dos autores do atlas, lançado pela Conib, é ir além de apenas registrar as manifestações, mas também compreender, explicar e explicitar este fenômeno que se perpetua por gerações.
Antissemitismo subnotificado
Além de Anelise, assinam a obra o cientista social Matheus Alexandre e o especialista em filosofia política, Bruno Cardoni Ruffier. Uma das dificuldades foi o fato de que, conforme é relatado nas primeiras páginas, não há registros oficiais em muitas das manifestações antissemitas. Muitas vítimas também preferem não fazer a denúncia.
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Para tanto, em busca de superar esta adversidade e tornar os dados mais precisos, eles se basearam em três vertentes: transparência quanto às restrições metodológicas; utilização de métodos diferentes para olhar para o mesmo fenômeno e comparar os resultados (triangulação entre monitoramento automatizado e análise qualitativa) e a exemplificação concreta de ocorrências.
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