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Candidatos à Presidência apresentam propostas para a educação

Os candidatos à Presidência têm planos distintos para enfrentar problemas educacionais do país, como ampliar o ensino integral, reformular a alfabetização, investir na formação de professores, endurecer regras de disciplina e aproximar o ensino médio do profissionalizante. Embora haja diferenças, pontos comuns incluem alfabetizar na idade certa, expandir o ensino técnico e melhorar a aprendizagem,

Os candidatos à Presidência apresentam caminhos diferentes para enfrentar alguns dos principais problemas da educação brasileira. Entre as propostas estão ampliar o ensino em tempo integral, mudar métodos de alfabetização, investir na formação de professores, criar regras mais rígidas de disciplina e aproximar o ensino médio da formação profissional.

Apesar das diferenças, alguns desafios aparecem em quase todos os planos: alfabetizar na idade certa, ampliar o ensino técnico e melhorar a aprendizagem. A disputa está nos caminhos escolhidos para chegar lá. De olho nas eleições de outubro, as promessas se acumulam, mas a pergunta que interessa ao leitor é outra: quais delas têm chance real de funcionar dentro da escola?

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Para Tiago Tondinelli, pós-doutor em Direito e ex-conselheiro do Conselho Nacional de Educação (CNE), uma boa política educacional precisa combinar dados objetivos com a realidade concreta das escolas.

O que propõe cada candidato

Lula busca o seu quarto mandato | Foto: Shutterstock

Luiz Inácio Lula da Silva (PT):

O senador Flávio Bolsonaro, candidato a presidente da República pelo PL | Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Flávio Bolsonaro (PL):

O candidato Augusto Cury tem crescido nas pesquisas| Foto: Eduardo Carmim/Photo Premium/SPP/Reuters

Augusto Cury (Avante):

Renan Santos é candidato do Missão | Foto: Facebook/Renan Santos

Renan Santos (Missão):

O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) | Foto: DIvulgação/ CNN

Ronaldo Caiado (PSD):

O ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência pelo Novo, Romeu Zema | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Romeu Zema (Novo):

O que faz uma proposta funcionar

Na avaliação de Tondinelli, políticas educacionais precisam se apoiar em evidências, mas sem tratar resultados de pesquisas como receitas prontas. Ele afirma que avaliações e estudos devem ser combinados com o contexto social, econômico e cultural de cada rede.

Como exemplo, cita o PIRLS, avaliação internacional que mede habilidades de leitura de estudantes do 4º ano. O Brasil aderiu ao programa em 2019. Tondinelli lembra que a iniciativa ocorreu durante a gestão de Carlos Nadalim na Secretaria de Alfabetização do Ministério da Educação.

No entanto, os dados não resolvem sozinhos os problemas da educação. “Não se pode ficar simplesmente refém de dados objetivos, mas, ao mesmo tempo, não se pode desprezá-los”, afirma o especialista. Fatores políticos, orçamentários e jurídicos também interferem na implementação. Por isso, ele critica soluções que atribuem o baixo desempenho dos alunos a uma única causa.

Formação de professores como prioridade

Entre alfabetização, ensino integral, disciplina e formação docente, Tondinelli aponta a preparação dos professores como prioridade. Ele defende treinamentos com práticas que apresentem resultados comprovados e possam ser adaptadas à realidade local.

O especialista também chama atenção para a execução das políticas nos municípios. As redes têm autonomia para organizar parte do ensino e contratar materiais, mas dependem fortemente de recursos federais. Na avaliação dele, falta apoio técnico para escolhas pedagógicas mais consistentes.

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Tondinelli afirma que a avaliação dos gastos precisa ir além de verificar se o dinheiro foi usado dentro das regras. “Majorou-se o índice de alfabetização esperado?”, pergunta. Para ele, é preciso medir se o investimento produziu melhora efetiva na aprendizagem.

Ao definir uma proposta tecnicamente consistente, o especialista cita três pilares: evidências científicas, adaptação à realidade social e cultural e equilíbrio na transmissão do conhecimento. Uma escola em que alunos ainda enfrentam dificuldades básicas de leitura e escrita, por exemplo, pode exigir prioridades diferentes de outra com indicadores melhores.

Para Tondinelli, até fatores como a qualidade da merenda escolar podem interferir no desempenho em determinados contextos. A diferença entre uma proposta viável e uma promessa de campanha, portanto, passa pela capacidade de combinar evidências, realidade local, recursos e resultados que possam ser acompanhados.

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